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Samhain - Adeus ao Deus / Samhain - Farewell to the God

"E mais uma vez Ele parte deixando a promessa de retorno com a centelha de vida que será gerada dentro Daquela que trará de novo a luz."

Samhain, o ano novo pagão, o momento onde o que foi vivido e o que virá a frente ficam cara a cara. Momento de despedidas e encontros, desapegos e desejos, luz e escuridão. É a noite mais mágica do ano, onde o véu que nos separa daqueles que já partiram se torna mais tênue nos permitindo sentir a presença dos que amamos e já não convivem mais junto de nós. Nossos ancestrais, entes queridos, amigos, pessoas que passaram em nossas vidas e hoje tudo o que deixam são saudades. O Samhain é o momento de honrar todos esses, de mostrar a vida para a morte, de mostrar o recomeço para aquilo que todos pensam ser somente fim. O Deus parte para a escuridão, deixando o mundo em sombras, essa simbologia é bem mais que uma despedida, partir para o mundo sombrio significa ir onde não podemos habitar e muita das vezes esse lugar sombrio, misterioso, se localiza dentro de nós mesmos, no mais íntimo do nosso ser, onde tememos ir e não conseguir voltar, onde ficam os nossos anseios, temores, fraquezas. Samhain é o momento onde devemos ir dentro de nós, buscar entender o motivo da nossa existência, porque estamos aqui? E já que estamos, o que devemos fazer para melhorar a nossa vida? Pensar nas coisas que deram errado no ano que se foi e planejar melhor o ano que virá. Sem medo do que encontraremos no caminho, apenas devemos partir, ir, seguir em frente e depois brilhar. Devemos tirar das nossas vidas aquilo que nos impede de ser feliz, que nos deixa preso, amargurado, sem perspectiva.
Ele partiu, porém sua presença hoje continua conosco e espera que nós cheguemos até ela, o caminho todos nós sabemos, talvez não consiga ser enxergado com os olhos abertos, olhe para dentro e veja no meio de toda a escuridão, no meio das sombras, ao lado daquilo que você mais teme, daquilo que você mais foge, lá está Ela/Ele, unidos, sentada em um trono e dentro Dela, a centelha de vida, a centelha de luz sendo gerada para iluminar o nosso destino.

Feliz Samhain a todos, é o que desejo de coração para coração!

Abençoados Sejam!

Angus Cailleach

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"And once again he left the party promise to return with the spark of life that will be generated within that will bring new light."

Samhain, the pagan new year, the moment where what was experienced and what lies ahead come face to face. Moment of meetings and farewells, detachments and desires, light and darkness. It is the most magical night of the year where the veil that separates us from those who have departed becomes thinner allowing us to feel the presence of those who love and live more longer with us. Our ancestors, loved ones, friends, people who lived in our lives today and leave all that are missing. Samhain is the time to honor all those, to show life to death, to show the beginning for what everybody thinks is just so. The God part to the darkness, leaving the world of shadows, this symbolism is much more than a farewell, going to the dark world means going where we can not live and a lot of times this gloomy, mysterious, lies within ourselves, in the depths of our being where we are afraid and unable to go back, where are our anxieties, fears, weaknesses. Samhain is the time where we should go inside of us seek to understand the reason for our existence, because we here? And since we are, what we do to improve our lives? Think about the things that went wrong was in the year and better plan for years to come. Without fear of what to find on the way, we should just go, go, move on and then shine. We must strip from our lives that prevents us from being happy, that leaves us stuck, bitter, no prospects.
He left, but his presence remains with us today and hopes that we come to it, the way we all know, may not be able to be seen with eyes open, look inside and see amidst all the darkness in the shadows, next to what you fear, what more you run, there is She / He, together, seated on a throne and on It, the life spark, the spark of light being generated to illuminate our destiny.

Happy Samhain to all, is what I want a heart to heart!

Blessed Be!

Angus Cailleach


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Fadas de Cottingley (realidade vs ficção)

Olá caros leitores, com o passar dos anos percebi que existe algumas linhas de pensamentos totalmente incoerentes com a visão pagã (muito disso devemos aos filmes fantasiosos a respeito com o tema "magia").
É claro que alguns iniciantes senão todos tiveram uma experiência do tipo, mas com o tempo logo tomaram foco do assunto, e claro (mais uma vez), isso serviu como uma "separação" entre os interessados dos aproveitadores (que mais tarde acabam falando suas experiencias e aprendizados constragedores para difamar algo além de sua percepção).
Bom, não é minha intenção ficar descrevendo sobre todos os conflitos existentes mas sim trazer um esclarecimento sobre a ficção e a realidade sobre os elementais silfos.

Antes de começar a explicar onde quero chegar com toda essa visão descrita acima, gostaria de deixar um link que me enviaram alguns dias atrás. http://www.youtube.com/watch?v=Tx8yD_cymKA

Nesse video mostra a confissão das criadoras do incoveniente "Fadas de Cottingley", que é nada mais do que uma montagem (photoshop da época).. o que posso fazer.. . Escrevo isso mas o assunto é serio.

Deixarei abaixo trecho de um site

"...
Fadas
- As fadas são uma "espécie" de Devas dos vegetais e estão diretamente ligadas à terra e ao ar. Fisicamente são pequenas e ágeis, irradiando-nos um brilho luminoso esbranquiçado, lembrando-nos um núcleo, um bloco de energia pura. São elementais que têm percepções naturais da sensibilidade e da harmonia da vida. São leves e sutis a ponto de realizarem trabalhos minuciosos, como o de preencher uma flor colocando-lhe as pétalas.  
..." Clique aqui para ler o texto completo (Link corrigido)

É lamentável como ainda existem pessoas que se deixam enganar com umas visões de filmes. Na maioria das vezes nunca é o que parece. Harry Potter, filme muito conhecido, e sim, é um filme que muitos pagãos gostam, mas como tudo tem o limite.. é preciso visualizar o que é fato e o que já não é, e isso é constrangedor para quem aceita aquela visão como uma verdade.

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Ostara e o Equinócio da Primavera

Trechos retirados de sites paganistas:

Ostara é o primeiro dia da Primavera, ocorre cerca de 21 de setembro no Hemisfério Sul e 21 de março no Hemisfério Norte. O inicio da primavera marca também a volta do sol e uma época do ano em que dia e noite tem a mesma duração depois do inverno. É o despertar a Terra com sentimentos de equilíbrio e renovação no entender dos wiccanos. Ostara também lembra Easter (Páscoa, em inglês), pois a páscoa no hemisfério norte é realizada nesta época do ano. Mesmo os não wiccanos sentem-se diferentes neste período, mais dispostos, comem menos, dormem menos e acordam mais cedo. Para os wiccanos também é época de começar a plantar, época do amor, de promessas e de decisões, pois a Terra e a natureza despertam para uma nova vida.

Os dias escuros se vão, e a terra está pronta para ser plantada. É quando os Deus e Deusa se apaixonam, e deixam de ser mãe e filho.

Nessa data, a semente da vida é semeada no ventre da Deusa, A Donzela revigorada e cheia de alegria. O Deus é devidamente armado para sair em sua viagem no mundo das trevas e reconquistá-lo, para que posteriormente a luz volte a reinar.

Ostara é o Festival em homenagem à Deusa Oster, senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o coelho. Os membros do Coven usam grinaldas, e o Altar deve ser enfeitados com flores da época. É um costume muito antigo colocar ovos pintados no Altar. Eles simbolizam a fecundidade e a renovação. Os ovos podem ser pintados crus e depois enterrados, ou cozidos e comidos enquanto mentalizamos nossos desejos. Nesse caso, não utilize tintas tóxicas, pois podem provocar problemas se ingeridas.

Use anilinas para bolo, ou cozinhe os ovos com cascas de cebola na água, o que dará uma bela cor dourada. Antes de comê-los, os membros do Coven devem girar de mãos dadas em volta do Altar para energizar os pedidos. Os ovos devem ser decorados com símbolos mágicos, ou de acordo com a sua criatividade.

Os pedidos devem ser voltados à "fertilidade" em todas as áreas.

Minha Opnião sobre o tema:

Vejo o Equinócio de Primavera como um retorno, uma renovação, a continuação do bailado eterno entre sol e lua, entre O Deus e A Deusa. Desde o desabrochar da primeira flor já somos abençoados pelas energias e influências da nova estação, e nada melhor do que usar destas energias para melhorar alguns aspectos em nossas vidas, fazendo com que aconteça somente coisas boas, não passando por cima dos problemas, mas enfrentando-os com força e determinação e vencendo sempre no final. O sol volta a ser forte e vigoroso nesta época do ano, e assim também devem ser seus filhos, corajosos e sem medo dos caminhos rochosos que terão que passar pra alcançar os seus objetivos.
Não divulgarei rituais para o Sabbath de Ostara já que tenho o pensamento de que uma celebração desse tipo é uma conexão pessoal entre a pessoa e os seus Deuses, por isso crie seu próprio ritual, nãe se prenda a paradigmas, dogmas e leis, faça o que queres sempre, pois há de ser o todo da lei, não permita que pessoas o façam mudar a beleza da simplicidade do seu ritual, tenha sempre em mente que para entrar em sintonia com qualquer divindade, seja ela qual for, não é nescessário acender ao menos um incenso, é somente preciso estar de coração aberto e receptivo, e ter amor por Aqueles aos quais presta culto.
Desculpem-me pelo afastamento longo que tive do blog, acontece que muitas coisas roubam o meu tempo, porém postarei mais e sempre que possível. Desejo um ótimo Sabbath a todos e que todos consigam realizar seus desejos nessa tão florida e abençoada primavera. Abraços a todos.

Fraternamente,
Angus Cailleach )0(



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Santa Inquisição

"Não permitirás que viva uma feiticeira".
(Êxodo – Cap. XXII – Versículo XVIII)

No século IV, quando o Cristianismo se propagava, a Igreja Católica havia tomado santuários e templos sagrados de povos pagãos, para implantar sua religiosidade e erigir suas igrejas. Nos primórdios do Catolicismo, acreditavam que os pagãos continuariam a freqüentar estes lugares sagrados para reverenciarem seus Deuses. Mas com o passar do tempo, assimilariam o cristia- nismo substituindo o paganismo, através da anulação.


Mesmo assim, por toda a parte, havia uma constante veneração às divindades pagãs. Ao longo dos séculos, a estratégia da Igreja Católica não funcionou, e através da Inquisição, de uma forma ensandecida e sádica, as autoridades eclesiásticas tentaram apagar de uma vez por todas a figura da Grande Deusa Mãe, como principal divindade cultuada sobre todos os extremos da Terra. O Catolicismo medieval transfor- mou o culto à Grande Deusa Mãe, num culto satânico, promo- vendo uma campanha de que a adoração dos deuses pagãos era equivalente à servidão a satã.

Inquisição é o ato de inquirir, isto é, indagar, investigar, interrogar judicialmente. No caso da Santa Inquisição, significa"questionar judicialmente aqueles que, de uma forma ou de outra, se opõem aos preceitos da Igreja Católica". Dessa forma, a Santa Inquisição, também conhecida como Santo Ofício, foi um tribunal eclesiástico criado com a finalidade "oficial" de investigar e punir os crimes contra a fé católica. Na prática, os pagãos representavam uma constante ameaça à autoridade clerical e a Inquisição era um recurso para impor à força a supremacia católica, exterminando todos que não aceitavam o cristianismo nos padrões impostos pela Igreja. Posteriormente, a Santa Inquisição passou a ser utilizada também como um meio de coação, de forma a manipular as autoridades como meio de obter vantagens políticas.



A caça às bruxas

A Santa Inquisição teve seu início no ano de 1184, em Verona, com o Papa Lúcio III. Em 1198, o Papa Inocêncio III já havia liderado uma cruzada contra os albigenses (hereges do sul da França), promovendo execuções em massa. Em 1229, sob a liderança do Papa Gregório IX, no Concílio de Tolouse, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício. Em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento intitulado Ad Exstirpanda, que foi fundamental na execução do plano de exterminar os hereges. O Ad Exstirpanda foi renovado e reforçado por vários papas nos anos seguintes. Em 1320, a Igreja (a pedido do Papa João XXII) declarou oficialmente que a Bruxaria, e a Antiga Religião dos pagãos constituíam um movimento e uma "ameaça hostil" ao cristianismo.

Os inquisidores, cidadãos encarregados de investigar e denunciar os hereges, eram doutores em Teologia, Direito Canônico e Civil. Inquisidores e informantes eram muito bem pagos. Todos os que testemunhassem contra uma pessoa supostamente herege, recebiam uma parte de suas propriedades e riquezas, caso a vítima fosse condenada.
Os inquisidores deveriam ter no mínimo 40 anos de idade. Sua autoridade era outorgada pelo Papa através de uma bula, que também podia incumbir o poder de nomear os inquisidores a um Cardeal representante, bem como a padres e frades franciscanos e dominicanos. As autoridades civis, sob a ameaça de excomunhão em caso de recusa, eram ordenadas a queimar os hereges. Camponeses eram incentivados (ludibriados com a promessa de ascenderem ao reino divino ou através de recompensas financeras) a cooperarem com os inquisidores. A caça às Bruxas tornou-se muito lucrativa.


Geralmente as vítimas não conheciam seus acusadores, que podiam ser homens, mulheres e até crianças. O processo de acusação, julgamento e execução era rápido, sem formalidades, sem direito à defesa. Ao réu, a única alternativa era confessar e retratar-se, renunciar sua fé e aceitar o domínio e a autoridade da Igreja Católica. Os direitos de liberdade e de livre escolha não eram respeitados. Os acusados eram feitos prisioneiros e, sob tortura, obrigados a confessarem sua condição herética. As mulheres, que eram a maioria, comumente eram vítimas de estupro. A execução era realizada, geralmente, em praça pública sob os olhos de todos os moradores. Punir publicamente era uma forma de coagir e intimidar a população. A vítima podia ser enforcada, decapitada, ou, na maioria das vezes, queimada.

Malleus Maleficarum

Em 1486 foi publicado um livro chamado Malleus Maleficarum(Martelo das Bruxas) escrito por dois monges dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger. O Malleus Maleficarum é uma espécie de manual que ensina os inquisidores a reconhecerem as bruxas e seus disfarces, além de identificar seus supostos malefícios, investigá-las e condená-las legalmente. Além disso, também continha instruções detalhadas de como torturar os acusados de bruxaria para que confessassem seus supostos crimes, e uma série de formalidades para a execução dos condenados. Ainda, o tratado afirmava que as mulheres deveriam ser as mais visadas, pois são naturalmente propensas à feitiçaria. O livro foi amplamente usado por supostos "caçadores de bruxas" como uma forma de legitimar suas práticas.

Alguns itens contidos no Malleus Maleficarum que tornavam as pessoas vulneráveis à ação da Santa Inquisição:


  • Difamação notória por várias pessoas que afirmassem ser o acusado um Bruxo.
  • Se um Bruxo desse testemunho de que o acusado também era Bruxo.
  • Se o suspeito fosse filho, irmão, servo, amigo, vizinho ou antigo companheiro de um Bruxo.
  • Se fosse encontrada a suposta marca do Diabo no suspeito.

Hecatombe

Gradativamente, contando com o apoio e o interesse das monarquias européias, a carnificina se espalhou por todo o continente. Para que se tenha uma idéia, em Lavaur, em 1211, o governador foi enforcado e a esposa lançada num poço e esmagada com pedras; além de quatrocentas pessoas que foram queimadas vivas. No massacre de Merindol, quinhentas mulheres foram trancadas em um celeiro ao qual atearam fogo. Os julgamentos em Toulouse, na França, em 1335, levaram diversas pessoas à fogueira; setecentos feiticeiros foram queimados em Treves, quinhentos em Bamberg. Com exceção da Inglaterra e dos EUA, os acusados eram queimados em estacas. Na Itália e Espanha, as vítimas eram queimadas vivas. Na França, Escócia e Alemanha, usavam madeiras verdes para prolongar o sofrimento dos condenados. Ainda, a noite de 24 de agosto de 1572, que ficou conhecida como "A noite de São Bartolomeu", é considerada "a mais horrível entre as ações inquisidoras de todos os séculos". Com o consentimento do Papa Gregório XIII, foram eliminados cerca de setenta mil pessoas em apenas alguns dias.

Além da Europa, a Inquisição também fez vítimas no continente americano. Em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que eliminou setenta e cinco hereges. Em 1692, no povoado de Salem, Nova Inglaterra (atual E.U.A.), dezenove pessoas foram enforcadas após uma histeria coletiva de acusações. No Brasil há notícias de que a Inquisição atuou no século XVIII. No período entre 1721 e 1777, cento e trinta e nove pessoas foram queimadas vivas.

No século XVIII chega ao fim as perseguições aos pagãos, sendo que a lei da Inquisição permaneceu em vigor até meados do século XX, mesmo que teoricamente. Na Escócia, a lei foi abolida em 1736, na França em 1772, e na Espanha em 1834. O pesquisador Justine Glass afirma que cerca de nove milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos que durou a perseguição.

Por Spectrum

Fonte: http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/inquisicao.htm

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Maat – A Palavra da Verdade

A verdade não é uma invenção moderna. Tal como a conhecemos, ela existe onde há consciência; uma está envolvida na outra. Mas de onde vem a verdade, a retidão e a justiça, e o que podemos chamar de código de ética? Parece que nossa civilização e nossa cultura têm uma dívida para com o Egito Antigo. De todas as culturas ou países conhecidos, o Egito tem os mais antigos registros históricos, remontando a mais de cinco mil anos.

Em egípcio, a palavra para verdade é Maat. O uso do Maat surgiu na Era das Pirâmides, iniciada por volta de 2700 a. C. No começo, Maat estava associado ao deus-sol Ra, ao faraó, à administração do país, ao homem comum, aos rituais dos templos e aos costumes mortuários.

Além disso, Maat eventualmente passou a ser associado a Osíris, o deus do outro mundo. Para os egípcios antigos, a palavra Maat significava não só verdade mas também retidão e justiça. Seu símbolo do Maat era a pluma de avestruz. A pluma, como símbolo, é encontrada em toda parte do Egito . nos túmulos e nas paredes e colunas dos templos. A pluma pretende transmitir a idéia de que "a verdade existirá". A pluma era transportada nas cerimônias egípcias, muitas vezes sobre um cajado. Ela aparece como fazendo parte do toucado da deusa.


A deusa alada Maat. Pintura mural que fica na entrada do túmulo da rainha Nefertari, esposa do faraó Ramsés II.
Para os egípcios que viviam na Era das Pirâmides, discernia-se o Maat como algo praticado pelo indivíduo. Era também uma realidade social e governamental existente, bem como uma ordem moral identificada com o governo do faraó. Durante toda a história do Egito Antigo, o Maat foi o que o faraó personificou e aplicou. Maat era a concepção egípcia de justiça; era justiça como a ordem divina da sociedade. Era também a ordem divina da natureza conforme estabelecida no momento da criação. O conceito tanto fazia parte da cosmologia quanto da ética.
Nos textos das pirâmides do Antigo Reino, está dito que Ra surgiu no local da criação: "... Depois ele pôs ordem, Maat, no lugar do caos... sua majestade expulsou a desordem, a falsidade, das duas terras para que a ordem e a verdade fossem ali novamente estabelecidas". A verdade e a ordem foram colocadas no lugar da desordem e da falsidade pelo criador. O faraó, sucessor do criador, repetia este ato importante na sua subida ao trono, quando das suas vitórias, ao terminar a renovação de um templo e em conexão com outros acontecimentos importantes.
Um dos textos das pirâmides diz: "O céu está satisfeito e a terra regozija-se quando ouvem que o Rei Pépi II pôs Maat no lugar da falsidade e da desordem". Os historiadores modernos concluem que a justiça era a essência do governo, inseparável do rei e, portanto, o objetivo reconhecido da preocupação de um funcionário. Ele não só estava envolvido na concepção de justiça como também na ética. Dizia-se que os inúmeros deuses dos egípcios viviam pelo Maat. Isto quer dizer que os poderes encontrados na natureza funcionavam de acordo com a ordem da criação.
Para o povo, o faraó estava com os deuses em sua relação com Maat, como se evidencia por esta citação: "Tornei clara a verdade, Maat, que Ra ama. Sei que ele vive de acordo com ela. Ela também é meu alimento. Eu também como do seu brilho". Assim, o rei ou faraó vivia pelo Maat.
Esperava-se que os funcionários dirigidos pelo faraó vivessem de acordo com o Maat, conforme o sugere esta citação: "Se és líder e diriges os assuntos de uma multidão, esforça-te por alcançar toda virtude até que não haja mais falhas em tua natureza. Maat é bom e sua obra é duradoura. Ele não foi perturbado desde o dia do seu criador. Aquele que transgride seus decretos é punido. Ele se estende como um caminho à frente até mesmo daquele que nada sabe. A má ação até hoje nunca levou seu empreendimento a termo". O significado aqui é evidente. Ele pede honestidade. Honestidade era sempre o tema.
Os funcionários do faraó devem esforçar-se por alcançar toda virtude, e sempre imparciais, verdadeiros e justos em seu trabalho. Era crença egípcia que a ordem divina foi estabelecida na criação e que esta não só se manifestava na natureza, mas também na sociedade como justiça, e na vida da pessoa como verdade. Maat era esta ordem, a essência da virtude.
O conceito de Maat confirma a antiga crença egípcia de que o universo é imutável, e que todos os opostos aparentes devem manter-se mutuamente num estado de equilíbrio. Ele subentende vigorosamente uma permanência; estimula o homem a esforçar-se por alcançar a virtude até que não tenha mais falhas. A harmonia e a ordem estabelecida de Maat, assim como a permanência, estão subentendidas nisso.
Um homem só teria êxito na vida, se vivesse harmoniosamente de acordo com o conceito de Maat e em sintonia com a sociedade e a natureza. A retidão produzia alegria; o contrário trazia o infortúnio. Este era um conceito profundo para os egípcios antigos, um conceito que ultrapassava o âmbito da ética, poderíamos dizer, e que na verdade afetava a existência do homem e seu relacionamento com a sociedade e a natureza. É claro que havia aqueles, entre os antigos egípcios, que não desejavam seguir os preceitos de Maat.
O Maat predominava por toda a terra. O camponês insistia que mesmo o mais pobre tinha direitos inerentes. Achava-se que o deus criador fizera todo homem igual ao seu irmão; a existência era curta para quem praticava a inverdade, a falsidade e a desordem, os opostos de Maat. Isto tornava impossível a vida. A eficiência de Maat não podia estar presente quando a pessoa praticava a desonestidade.

Todos os deuses do panteão egípcio agiam de acordo com a ordem estabelecida de Maat. O egípcio acreditava que o Maat da ordem divina seria o mediador entre ele e os deuses. De acordo com essa crença, quando um homem errava não cometia crime contra um deus, mas atingia diretamente a ordem estabelecida. Um ou outro deus providenciaria para que a ordem fosse vingada.
Nas pinturas que se vêem nas paredes dos templos e dos túmulos o faraó aparece exibindo Maat aos outros deuses diariamente. Assim, o faraó estava cumprindo sua função divina de acordo com a ordem de Maat em nome dos deuses. Vemos aqui também a inferência de permanência, que Maat era eterno e inalterável. Este era a verdade .uma verdade que não era suscetível de verificação ou comprovação. A verdade sempre estava em seu lugar certo na ordem criada e mantida pelos deuses. Era um direito criado e herdado que a tradição dos egípcios antigos transformou num conceito de estabilidade organizada.
A lei da terra era a palavra do faraó, pronunciada por ele de acordo com o conceito de Maat. Como o próprio faraó era um deus, ele era o intérprete terreno de Maat. Em conseqüência, também estava sujeito ao controle de Maat dentro dos limites da sua consciência. Se qualquer egípcio quisesse experimentar a felicidade eterna, esperava-se que fosse moralmente circunspecto. O caráter pessoal era mais importante que a riqueza material.
Segundo a crença do Antigo Reino, Ra era o deus do mundo dos vivos, havendo referências feitas "àquela balança de Ra onde ele pesa Maat. . O conceito era que Maat perdurava passando à eternidade. Ele ia para a necrópole com o morto e era depositado ali. Quando sepultado ou fechado num túmulo, seu nome não morria; era lembrado pelo bem que ele emanava.
Em tempos posteriores, o deus Osíris, que estava relacionado com a vida futura, tornar-se-ia juiz dos mortos, presidindo a pesagem do coração de um homem contra o símbolo de Maat. Acreditava-se que o coração era o centro da mente e da vontade. Antes desse período, o tribunal divino estava sob o deus-sol Ra e a pesagem chamava-se contagem do caráter.
Um dos documentos mais famosos do Egito Antigo é o Livro dos Mortos, que contém textos fúnebres, cujo uso começou com o Período Imperial e continuou sendo usado em períodos subseqüentes. No Livro dos Mortos encontra-se a chamada Confissão a Maat.
Para conseguir um lugar na vida futura, um egípcio precisava confessar que não cometera erra algum; portanto, ele fazia uma verdadeira declaração de inocência, que é o inverso de uma confissão. Os egiptólogos e historiadores contemporâneos acham que o termo confissão é errôneo. Contudo, por tradição continuaremos sem dúvida a denominar os textos fúnebres a este respeito no Livro dos Mortos como a Confissão a Maat.
Os textos estão escritos em papiros e falam do tribunal para o egípcio morto. O juiz é Osíris, ajudado por quarenta e dois deuses que se sentam com ele para julgar os mortos. Os deuses representavam os quarentas e dois nomos, ou distritos administrativos, do Egito.
Evidentemente os sacerdotes criaram o tribunal de quarenta e dois juízes para controlar o caráter dos mortos de todas as partes do país .sendo a idéia de que pelo menos um juiz teria de vir do nomo do morto. Os juízes representavam os vários males, pecados, etc. O egípcio morto que estava sendo julgado não confessava pecados, mas afirmava sua inocência dizendo: "Não matei", "Não roubei", "Não furtei".
Para os egípcios antigos a morte não era o fim e sim uma interrupção. O egípcio não devia incorrer jamais no desagrado da sua divindade e do Maat. O conceito do julgamento sem dúvida causava impressão profunda nos egípcios vivos. O drama envolvendo Osíris é vívido e descreve o julgamento tal como afetado pela balança.

Um certo papiro, de excelente feitura e arte, mostra Osíris sentado num trono numa extremidade da sala do tribunal, com Ísis e Néftis de pé atrás dele. Num dos lados da sala estão dispostos os nove deuses da Novena Heliopolitana dirigida pelo deus-sol. No centro está a balança de Ra onde ele pesa a verdade.
A balança é manipulada pelo antigo deus dos mortos, Anúbis, de cabeça de chacal, e atrás dele, Toth, o escriba dos deuses, que preside a pesagem. Atrás deste fica o crocodilo monstro pronto para devorar o injusto. Ao lado da balança, em sutil insinuação, está a figura do destino acompanhada pelas duas deusas do nascimento que estão prestes a contemplar o destino da alma cuja vinda ao mundo elas certa feita presidiram. Na entrada está a deusa da verdade, Maat. Ela deve conduzir a alma recém-chegada à sala do julgamento.
Anúbis pede o coração do recém-chegado. Este é posto num dos pratos da balança enquanto no outro aparece a pluma, o símbolo de Maat. Dirigia-se ao coração e se pedia a ele que não se erguesse contra o morto como testemunha. O apelo era aparentemente eficaz, pois Toth dizia: "Ouvi esta palavra em verdade. Julguei o coração... Sua alma é testemunha sobre ele. Seu caráter é justo segundo a pesagem da grande balança. Não se encontrou pecado algum nele". Tendo assim recebido um veredito favorável, o morto é conduzido por Hórus, o filho de Ísis, e apresentado a Osíris. Após ajoelhar-se, o morto é recebido no reino de Osíris.
Na Confissão a Maat, o morto declarava sua inocência. Afirmava que nada fizera de errado. Em muitos casos um escaravelho, onde estava escrita uma fórmula, era enterrado com o morto. Esta fórmula destinava-se a impedir que seu próprio coração se levantasse como testemunha contra ele.
Na 18.ª Dinastia, Amenhotep IV desalojou Osíris e os muitos deuses. Ele deu evidência e reenfatizou Maat como o símbolo da verdade, da justiça e da retidão. O disco solar tornou-se Aton. Amenhotep anexava regularmente o símbolo de Maat à forma oficial do seu nome verdadeiro. Em todos os seus monumentos de estado vêem-se escritas as palavras Vivendo na Verdade, ou Maat.
Em conformidade com este fato, Amenhotep chamou sua nova capital de Aquetaton, Horizonte de Aton e O Centro da Verdade. Esta última referência é encontrada num breve hino atribuído à Amenhotep quando, com sua rainha Nefertiti, ele transferiu sua residência para Aquetaton e adotou o nome de Akhenaton, que significa aquele que é benéfico a Aton.
Os seguidores do conceito monoteísta de Akhenaton estavam plenamente cientes das convicções do faraó sobre Maat. Com freqüência encontramos as pessoas da sua corte glorificando Maat, ou a verdade. Em sua revolução, Aton, o deus único, era o criador e mantenedor da verdade e da retidão. Maat, ou a verdade, era a força cósmica da harmonia, da ordem, da estabilidade e da segurança.
Na Era das Pirâmides, Ptah-hotep apresentou o conceito de que o coração era o centro da responsabilidade e da orientação. No tempo de Tutmosis III, na 18.ª Dinastia, declarou-se que "O coração de um homem é seu próprio deus, e meu coração está satisfeito com meus atos".
Pensava-se que esta fosse a voz interior do coração e, com surpreendente percepção, chegou a ser chamada de o deus de um homem. O egípcio tornara-se mais sensível, mais discriminador na sua aprovação ou reprovação da conduta de um homem. O coração assumiu o equivalente ao significado da nossa palavra consciência.
James Henry Breasted escreveu que da verdade, da retidão, do conceito de justiça de Maat veio a consciência e o caráter. Akhenaton destacou repetidamente o conceito de retidão de Maat. Ele desenvolveu o reconhecimento da supremacia de Maat como retidão e justiça numa ordem moral nacional sob um único deus.
O conceito de Maat do Egito Antigo prevaleceu intensamente até o Reino do Meio ou começo do Período Imperial. Durante algum tempo ele esteve relativamente ignorado, mas recuperou sua força no período de toda a 18.ª Dinastia, especialmente durante o tempo de Akhenaton. Mas na época da 20.ª Dinastia, Maat decaíra.
Havia a ineficiência governamental, a indiferença, a fuga da responsabilidade e a desonestidade. A consciência social, o interesse de grupo e a integridade pessoal deixavam de existir. Já não havia mais um homem justo, vivendo em harmonia com a ordem divina de Maat. Deixara de existir o conceito de caráter, de dignidade humana e decência. Quando a ordem estabelecida de Maat, sobre a qual se apoiava o modo de vida egípcio, foi descartada, a vida perdeu o significado. A antiga verdade, Maat, que predominara por uns dois mil anos, deixara de se impor.
Temos de reconhecer pela monumental evidência que, para os egípcios antigos, o conceito de Maat criou uma grande sociedade humana onde havia justiça na pessoa humana e social.
A deusa Maat
Museu Egípcio do Cairo
Época: 1290-1278 a. C.
Local: Vale dos Reis
Categoria: Relevo
Material: Calcário
Técnica: Pintura em baixo-relevo

Altura: 74 cm
Largura: 47 cm
A pintura mostra a deusa Maat usando um ornamento na cabeça, com uma pluma de avestruz, o símbolo da verdade e da justiça.


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O VERDADEIRO DESAFIO DO SACERDÓCIO

O VERDADEIRO DESAFIO DO SACERDÓCIO


Mavesper Cy Ceridwen


Quando as pessoas buscam ingressar na Wicca estão preocupadas com uma coisa só:
sua iniciação. Algumas de um ponto de vista menos esclarecido e mais
superficial, se preocupam com iniciação porque é um requisito, do tipo que é
ter diploma de alguma coisa para exercer uma profissão. Outras pessoas, mesmo
quando mais esclarecidas, ainda assim estão focadas na iniciação, mas daí já tem
uma idéia mais clara sobre a Iniciação ser um processo de transformação de
vidas, o marco inicial de uma Vida Sacerdotal.

E as pessoas, mesmo as mais esclarecidas e que vão se tornando praticantes
experientes, quando neófitas acham que o desafio maior é conseguir se iniciar.
Encaram mesmo o rito iniciático como uma colação de grau, algo que se esgota em
si mesmo e da uma qualidade que a pessoa jamais perderá. Será verdade?

Claro que não: o enorme desafio do Sacerdócio se chama CONTINUIDADE, ou seja,
você vai mesmo persistir por toda sua vida nessa escolha de ser uma Sacerdotisa
ou um Sacerdote? Muita gente, muito entusiasmada nos primeiros anos, começa a
perceber que o desafio é grande demais quando as Rodas começam a se acumular.

A primeira coisa que pesa é que SACERDÓCIO É SERVIÇO, contínuo e permanente aos
Deuses, com todas as suas qualidades e o máximo de seus esforços. Nem sempre a
Deusa exige isso todos os dias, mas muitas vezes exige sim, e por grandes
períodos.

Pessoas que têm vocação sacerdotal sabem – ou deveriam saber - que sacerdócio se
traduz em serviço. De muitos tipos e maneiras, mas sempre a inequivocamente
SERVIÇO. Pode ser somente na sua cozinha ou em grandes ritos públicos, pode ser
somente meditando ou tendo vocação para dar aulas... COMO o serviço é feito,
somente a Deusa decide e isso muda de tempos em tempos.

Mas há algo que é comum a toda Sacerdotisa e Sacerdote: uma hora
repetir os ritos toda lunação e sabbats, manter a roda girando,
atender pessoas que nos procuram, servir o tempo todo pesa. A vida
pessoal sofre, o laser é deixado de lado, o ócio é sacrificado, a
convivência familiar diminui.

E não só o tempo que o Sacerdócio demanda é o problema. Há um problema
maior: as vezes a gente desanima. O que antes dava muito prazer –
armar altares, preparar feitiços , fazer meditações – não dá mais
tanto prazer ou parece um fardo. Tudo fica sem graça, tudo parece
difícil e não vemos resultados.

Isso não ocorre só com Dedicados, ocorre até comigo e com gente muito
melhor e mais velha na bruxaria do que eu.

Sabem por que?

Porque “That ‘s Life”.

Porque a Roda da Vida tem CICLOS de desânimo e entusiasmo e nosso
Sacerdócio, como TUDO que existe também tem. Uma hora estamos em cima,
outra estamos embaixo. Como a Deusa me disse certa vez, não é difícil
entendê-la, porque Ela na verdade tem uma só lição A LIÇÃO DOS CICLOS.

Então, quando estamos em baixa de entusiasmo, temos que compreender
que é assim mesmo e persistir, porque a Roda vai girar e nos levará a
outro ciclo de grande prazer com nosso sacerdócio. Basta esperar e
aproveitar as lições e dadivas que o desânimo esconde e que somente
ele pode nos revelar...

Isto é, SE E SOMENTE SE não esquecermos do porquê começamos tudo isso.

Lembra do Chamado? Lembra do dia em que você olhou a Lua e viu nossa
Mãe? Quando olhou a árvore e viu o Green Man pela primeira vez? Olhou
o Sol e viu o Senhor Chifrudo? Lembra?

Em uma fase muito difícil do meu Caminho, lá no começo, uma noite de
esbat eu estava muito triste. Era novembro e eu acabara de sair de um
grupo que amava muito e em que estivera alguns anos. Olhei a Lua na
minha janela do apartamento, cheia e linda, e as minhas coisa
ritualísticas de Ísis sobre a cama esperando o início da celebração do
esbat. Há cinco rodas eu celebrara em grupo, essa seria minha
primeira celebração sozinha.

Tracei o Círculo, muito triste, pensando que o meu antigo grupo estava
começando o mesmo rito naquele horário. Fiz os ritos, orações e
comecei a meditar. Havia programado meditar sobre o sacerdócio, mas na
verdade comecei a ir a uma vida passada , em Roma. Vi a cidade
claramente e me vi fazendo compras de frutas em um mercado,
acompanhada de outras sacerdotisas do templo de Ísis. Vestíamos linho
branco e era escoltadas pela guarda do templo. Lembro do sabor das
uvas pretas e pêssegos, lembro do sol brilhando na casca das frutas,
lembro com nitidez cada recanto e pessoa daquele grande mercado.

Depois, a Visão mudou e me vi menina, de uns 11 anos. Vestida de
branco, com uma toga curta e acompanhada de mais umas quinze meninas
da mesma idade. Entraríamos no Templo pela primeira vez, onde seríamos
recebidas como aprendizes e depois noviças. A instrutora nos recebeu
no pátio externo, e nos conduziu, mas alguma coisa chamou minha
atenção e fui para a direita, enquanto elas entravam com a instrutora.
Ao lado do jardim magnífico com um tanque ao centro, estava uma
estátua de Ísis Menina. Eu a olhava fascinada, porque achava, com
minha visão de criança que Ela era muito parecida comigo mesma. E
quando olhei a estátua, quando meus olhos encontraram os Dela, me
apaixonei perdidamente, me perdi dentro da imensidão que é
Ela...Conheci Ísis pela primeira vez e meu coração se inundou de um
amor indescritível, algo sem comparação, sem rivalidade. Nada podia
ultrapassar aquele sentimento. Amei Ísis desde aquele momento e soube
que toda minha vida seria dedicada a ela com amor. Não havia para mim
maisi nem vislumbre de outro modo de viver.

Nessa hora, escutei a Voz de Ísis e ela me disse: “Lembre-se sempre,
em todo seu sacerdócio, e em qualquer vida, que esteja onde você
estiver e faça o que fizer a única coisa que importa é que você
mantenha no seu coração a consciência desse momento em que você me viu
pela primeira vez e me amou. Se ele nortear sua vida, nada pode estar
errado. Vocês erram ao se afligir sobre entrar ou sair em grupos.
Vocês não estão neles por seu desejo e vontade, mas tão somente porque
é o melhor para mim e meu serviço. E seja sozinha ou acompanhada,
esteja onde estiver se você mantiver no coração seu amor por mim,
nunca errará”.

O verdadeiro desafio do Sacerdócio é esse: seu amor à Deusa e ao Deus
vencerá ano após ano os ciclos de desânimo, preguiça, problemas e
medo? Você os compreenderá e aceitará serenamente ( mesmo reclamando,
porque ninguém é perfeito) como parte de seu serviço e aprendizado?

Que cada um responda com sua vida.
Vivendo por Maat,

Mavesper Cy Ceridwen, que também os Deuses conhecem como
Mirabilis Cy An Kether 

Créditos: Mavesper Cy Ceridwen

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Stregaria


Stregaria:
A Vecchia Religione ou Stregaria é a velha religião ligada a Natureza (como a Wicca), é a bruxaria italiana. Na Itália central, as bruxas adoravam a deusa Diana e seu consorte, o deus Dianus. Fora de Roma, na região dos Montes Albanos, elas se reuniam nas ruínas de um templo de Diana, às margens do Lago Nemi.
No século XIV, uma mulher muito sábia que se “intitulava” Aradia, renasceu a Velha Religião. Deste esforço, se formaram três tradições, que em origem, eram uma só. As tradições são conhecidas como Fanarra, Janarra e Tanarra. Coletivamente, são conhecidas como a Tríade de Tradições. A Fanarra é original do norte da Itália e são conhecidos como Guardiões dos Mistérios da Terra; a Janarra e Tanarra são do centro da Itália. A Janarra é conhecida como Guardiões dos Mistérios da Lua e a Tanarra dos Mistérios das Estrelas. Cada tradição tem um “líder” chamado Grimas. Ele deve ter conhecimento das outras duas tradições e sua função é fazer com que a sua tradição continue.
Existe também a tradição Aridiana proveniente da vila de Arida – dizem que as maiores parte dos discípulos de Aradia vieram desta localidade no centro da Itália. As maiorias dos praticantes modernas da Stregaria seguem essa tradição. Como uma religião baseada na natureza, os Aridianos reconhecem a polaridade de gênero dentro da Ordem Natural, e personificam isso como A Deusa e o Deus. O ano é dividido em meses do Deus (outubro a fevereiro) e meses da Deusa (março a setembro). Ambos, Deusa e Deus, são reverenciados e são iguais em importância. Um detalhe é que durante os meses do Deus, os rituais são feitos com robes/ túnicas e nos meses da Deusa, sem roupa alguma. Outra coisa é que durante os meses do Deus, o sacerdote se ocupa de mais “incumbências” nos esbaths. Os grupos/ covens da tradição Aridiana possuem diversos cargos. Estes são de Sacerdotessa e Sacerdote; em seguida vem a Dama D’onore e La Guardiã, que são respectivamente, a Donzela que auxilia a Sacerdotisa nos rituais, e o Guardião que é responsável pela segurança da Sacerdotisa. Os sacerdotes são a representação dos Deuses nas encenações dos rituais...

Stregherie
A velha religião na Itália começou com os povos Etruscos que apareceram na Itália por volta de 1.000a.c, por serem povos místicos e possuidores de conhecimento de magia eles influenciaram em muito a religião da Itália.
Os povos Etruscos deixaram tumbas magníficas decoradas, pintadas e ás vezes com jóias armas, utensílios de uso pessoal, todos esses objetos indicavam o nível social da pessoa que ali estava enterrada.
Os deuses ocupavam um lugar importante na vida dos Etruscos, influenciavam seus comportamentos, seus relacionamentos e a idéia principal dos Etruscos era o poder que os deuses podiam emprestar "aos humanos", portanto o poder divino era consciente entre os Etruscos, com seus hábitos, sua religião e seus conhecimentos influenciaram sobre maneira toda a região da Itália.
A vinda do cristianismo na Itália determinou a queda do Paganismo e os cultos mágicos aos deuses foi considerado ilegal .As sacerdotizas de Diana se refugiaram em vilas isoladas... onde hoje é encontrado o templo de Diana em ruínas, portanto a Velha Religião foi conservada nessas áreas rurais e o seu conhecimento existem até hoje na Itália moderna.
A perseguição das bruxas na Itália não foi violenta como foi em outros países pois as bruxas italianas se concentravam em vilas isoladas e eram geralmente muito bem toleradas.
A bruxa italiana chama-se Stregha e o bruxo italiano chama-se Streghone e o coven de bruxos é chamado de Boschetto A Stregheria também tem várias tradições conforme as regiões da Itália, por exemplo na Sicilia, norte da Itália, sul da Itália etc...
Na Stregha é muito importante os laços familiares, os espíritos que protegem e preservam a antiga religião e seus conhecimentos. Ha muitas diferenças entre as bruxas americanas e as bruxas italianas, essas diferenças além de serem históricas são devidas a diferentes tradições e diferentes crenças. Como a Stregha italiana têm seus alicerces na velha religião praticada nessa época, genuinamente ela não usa conceitos orientais .
Outro exemplo: Na Itália temos quase 200 dialetos diferentes, o que originam diversas formas de conhecimentos, tradições e clãs.Já foi dito que é muito importante os laços familiares na bruxaria Stregha e geralmente a iniciação de uma bruxa Stregha começa desde o momento de seu nascimento. as mulheres mais velhas da família gradativamente vão oferecendo conhecimentos para a iniciada e vão notando quais os dons que esta iniciada nasceu com eles. Isto também se dá com os meninos que florescem mais tarde na magia que as meninas.

A herança de Aradia
um dos pilares mais tradicionais das práticas de Stregheria - ou de qualquer vertente mais tradicional (e hereditária): é o sangue. Para muitas streghe, ele é o passaporte para a entrada nos "mistérios". A herança do sangue é bem forte e une muitos clãs e praticantes. Para alguns, o simples nascer em determinada família já é um rito iniciático. Muitas famílias não abrem seu livro mágicko ou sua linhagem para ninguém e os únicos estranhos são os cônjuges dos filhos.
Aradia a famosa figura da Stregheria - principalmente pelas mãos de Charles Leland e seu Gospel - traz essa força: de quem volta às suas origens e as incorpora, saindo depois para levar a outros este mesmo processo
Deuses e deusas
Agenoria: deusa etrusca para despertar ações
Anterus: deus da paixão.
Aplu: deus etrusco do tempo.
Astréa: deusa da justiça.
Belchans: deus etrusco do fogo.
Carmem ou Carmina: deusa dos encantamentos e dos feitiços.
Caltha: deus etrusco do sol.
Cloacina: deusa etrusca de tudo que é sujo e obsceno.
Charun: deus etrusco do submundo, sua função é governar a morte e transportar as almas para a vida após a morte.
Comos: deus das bebidas.
Corvus: mensageiro dos deuses.
Cópia: deusa da prosperidade.
Diana: deusa triplice, jovem, mãe e anciã, a deusa das bruxas.
Dianus: deus da fertilidade, deus cornudo das florestas, com sorte de Diana.
Egéria: deusa etrusca das fontes, ela possuia o dom da profecia.
Fana: deusa da terra, das florestas e da fertilidade.
Faunos: o masculino de Fana.
Februus: deus etrusco da purificação iniciação e morte.
Felicitas: deusa etrusca da boa sorte.
Feronia: deusa etrusca que protege a liberdade dos homens, a vida nas florestas e as cabanas aos pés das montanhas.
Fortuna: deusa do destino, da fortuna, da sorte e da fertilidade.
Furina: deusa etrusca da noite e dos ladrões.
Horta: deusa etrusca da agricultura.
Jana: deusa da lua.
Janus: deus etrusco do sol, dos portais, dos limites, associado com jornadas.
Losna: deusa etrusca da lua.
Lupercus: o deus lobo, deus da agricultura.
Nethuns: deus etrusco da água fresca.
Nox: deusa da noite.
Pertunda: deusa do amor sexual e dos prazeres.
Tagni: nome mais velho do deus da bruxaria.
Tana: deusa das estrelas.
Tanus: deus das estrelas, consorte de Tana.
Tuchulcha: deusa etrusca da morte, ela é parte humana, parte pássaro, com cobras nos cabelos e nos braços.
Umbria: deusa das sombras e de tudo que é secreto.
Veive: deusa etrusca da vingança, é retratada com um jovem coroado de louros com arco e flecha nas mãos.
Vesta: deusa do fogo e do coração.
Zirna: deusa etrusca da lua, ela é representada pela meia lua

Um pouco de Aradia
Como a Ariciana e a Tríade de Tradições - Janarra, Fanarra e Tanarra. Lembrada como a professora e mestra das Streghe, Aradia não queria ser adorada: seu intuito era reviver com os camponeses dos feudos os Caminhos Antigos. Passou seus ensinamentos viajando e conversando, reaproximando as pessoas de suas raízes. Ela apontava a Vechia Religione como um alívio ao massacre religioso do cristianismo da época. Com o tempo, ela passou a ter discípulos, 6 homens (um deles era celta) e 6 mulheres. Quando Aradia passou a ser perseguida, esses discípulos saiam em casais para levar seus ensinamentos a diante. Seu símbolo, após sua partida era, e ainda é, a Chama Sagrada que é acesa no meio do altar. Por fim, seus discípulos também foram perseguidos e muitos mortos e acredita-se que os pergaminhos, nos quais seus ensinamentos foram registrados, trancados no Vaticano. Alguns documentos históricos indicam a passagem de uma mulher peregrina pelo norte da Itália e indicam que talvez ela tenha passado seus últimos anos na Romênia.

Os Dons de Aradia
No séc. XIV, Aradia ensinou que os poderes "tradicionais" de uma Bruxa pertenceriam àqueles que seguissem a Velha Religião. Ela os chamo de Dons, porque ela colocava que são apenas "um adicional" aos poderes de uma verdadeira bruxa, e não a razão pela qual alguém deveria ser tornar uma ou seguir La Vecchia. Estes são os seguintes:
1. Atrair sucesso nos assuntos do coração
2. Abençoar e consagrar
3. Falar com os espíritos
4. Saber das coisas ocultas
5. Chamar espíritos
6. Conhecer a Voz do Vento
7. Ter o conhecimento da transformação
8. Ter o conhecimento da divinação
9. Conhecer os Sinais Secretos
10. Curar males
11. Trazer a beleza
12. Ter influencia sobre as feras selvagens
13. Conhecer os segredos das mãos.
Aradia também ensinou que uma Bruxa deve seguir aos Ritos Sazonais e osmomentos da Lua Cheia para manter os dons.

Magia Lunar
Nos tempos antigos, as strega tinham a posição de Sacerdotisa da Lua. Nas regiões costeiras e nas ilhas, as strega também poderiam ser Sacerdotisas do Mar. O uso da água do mar era um aspecto importante na Magia Lunar. Pois se "carregava" a água e liberava-se essa carga através da evaporação.A lua é o ponto de foco da Terra. A Lua absorve, condensa e canaliza todas as forças que são recebidas pelo planeta.Aradia disse a seus discípulos para procurar pela Lua para qualquer propósito mágiko.A Lua é o corpo capaz de "prender" força cósmica, desta forma, é necessário que saibamos como faze-lo.O campo eletromagnético da Terra recebe e coleta energias. O campo da Terra é grandemente influenciado pela Lua. Por causa da mudança de órbita da Lua, ela pode juntar energias de todo o cosmos durante os 28 dias de seu ciclo - que é considerado rápido. É claro que a Lua é a mediadora de energias tanto para as práticas mundanas como mágikas. O papel do Sol é de ser um amplificador. Ele gera poder "cru" e aumenta as energias que já se apresentam no campo da Terra.Os rituais devem ter relação com as fases da Lua. Quanto a isso, é como na Wicca, o uso de prata é muito comum, pois é um metal que acumula bem a energia lunar.Existe um altar ritual para a Lua; este se torna um ponto de foco de energia. As mulheres são vistas como as que carregam a energia da Lua dentro delas. Os homens também têm isso, mas as mulheres têm uma ligação mais próximaCrenças da Strega
As crenças das streghe envolvem amuletos para repelir ou atrair energias. Gestos de poder, sinais que podem ser lidos em toda a natureza. A Deusa coroada com um crescente e o Deus Astado são adorados pelas strega. Também são conhecidos por diversos nomes: Tana e Tanus, Fana e Faunus, Jana e Janus. Os nomes mais comuns para os Deuses da Stregheria são : Diana e Dianus (Lúcifer); e os nomes mais antigos são Uni e Tagni.
A natureza é vista como a manifestação das forças ou leis espirituais. A Magia
é a arte de entender e interagir com estas forças, de uma forma que possam ser influenciadas. Como este sistema é mantido em ordem por espíritos e deidades, existem técnicas milenares de interagir e lidar com estes seres astrais – de forma que façamos nossas influencias e vontades.
No norte da Itália, existe uma região chamada Toscana. Lá uma forma de stregheria um pouco mais peculiar é desenvolvida. Esta forma é extremamente simples, mas pouco lembra os rituais cerimoniais modernas. Há uma grande influencia etrusca nesta forma de bruxaria, onde os Deuses e espíritos são de origem etrusca. Estas bruxas raramente fecham um círculo sagrado para fazer seus feitiços e rituais. O importante para elas é que haja um campo onde possam trabalhar. Elas utilizam uma varinha (o instrumento mais primário da bruxaria) e gestos de poder com encantamentos (chants).
Os Deuses reverenciados pelas streghe toscanas são a Deusa Uni e o Deus Tagni. A natureza também é reverenciada pelos elementais: Fauni e Silvani são espíritos dos bosques; Monachetto são espíritos da terra, como os gnomos; Linchetto são os espíritos do ar. Na bruxaria toscana o norte é considerado um local de muito poder. Os seres elementais do norte são chamados Palla; no sul Settiano, que são espíritos do Fogo Elemental; os espíritos do oeste são os Manii; e os do leste são os Bellaire.
As streghe acreditam em espíritos do clã, chamados Lare que protegem as casas e as famílias. Além disso, ajudam as streghe a renascerem entre seus entes queridos. Pequenos templos são feitos na parte oeste da casa em honra a estas entidades. Tradicionalmente são feitas oferendas de vinho, mel, leite em um pequeno recipiente e uma vela é acesa.
O folclore italiano também se estende a objetos inanimados, que se acredita possuírem poder. Entre os mais comuns estão as chaves feitas de outro ou prata, ferraduras, tesouras, pérolas e corais. Outros objetos incluem o alho, fita vermelha e sal que é empregado para a proteção.

Festivais das Estações
Na Itália não se usa a palavra Sabath para os festivais. A palavra é Treguenda.
As Oito Treguendas
Na moderna tradição Aridiana existem oito treguendas: quatro maiores e quatro menores. As maiores são em outubro, fevereiro, maio e agosto .Embora haja semelhança com o ano celta, estes são festivais baseados no ano romano.
O ano agrícola era vital para os romanos e depois para os fazendeiros italianos. Os romanos antigos tinham vários festivais pelos meses do ano; logo, é muito fácil encontrar celebrações parecidas
com as da Wicca moderna. Os fazendeiros romanos conheciam os equinócios e solstícios e sabiam de seu lugar na roda do ano; isto também pode ser visto pelo culto dos Mistérios Eleusinos da Grécia. Os ritos dos Mistérios Eleusinos Menores eram celebrados na primavera e os Mistérios Maiores, no outono. Estes ritos se baseavam na descida da Deusa no Mundo das Sombras e sua subida na primavera. Para termos uma visão geral entre os antigos festivais italianos de origens etruscas e romanas, vamos olhar aos sabaths com seus partes italianas:

Samhain (31/10) – Festa Dell’Ombra
De acordo com a tradição italiana os mortos voltam ao mundo dos vivos na noite anterior a novembro e ficam nele até a segunda noite do mesmo mês. No século XV, a igreja Católica Apostólica Romana oficialmente usou este dia para celebrar o que chamam de Ognissanti ou Todas as Almas. Na verdade, no século X, esta tradição pagã italiana já preocupava alguns monges cristãos. A Igreja permitiu que estas práticas continuassem porque apresentava uma oportunidade para conversões.

Yule (21/12) – Festa dell’Inverno
Dezembro é marcado pelos festivais romanos para o Deus Sol e para o Deus agrícola Saturno. A conexão intima entre o sol e as plantações que crescem pediam pela invocação dos dois aspectos do Deus.

Imbolg (1/02) – Festa di Lupercus
O mês de fevereiro era sagrado para o Deus romano Februs que era um deus da purificação e da morte. Os ritos de purificação da Lupercália também era celebrado em fevereiro. Lupercus é o Deus novo, a energia do Lobo. Esta ocasião ritual foi depois transformado na festa de São Simão. No século VII, a Igreja romana renomeou este festival de “A Apresentação do Senhor”. A data foi mudada para o dia 2 de fevereiro tentando substituir as celebrações pagãs. Então, os festivais da igreja passaram o coincidir com a data do festival de purificação da Roma pagã: o de Iuno Februata e o ritual da Lupercália, sendo também transformado em festival da Santa Virgem.

Ostara (21/3) – Equinozio della Primavera
Março era marcado pelo festival de Libéria, que também era conhecida como Proserpina (Perséfone). Proserpina era uma deusa da primavera cuja subida do Mundo dos Mortos era marcado por rituais dos Mistérios Eleusinos.

Beltane (30/4- 1/05) – La Giornata di Tana
Maio era marcado pelos festivais da primavera da Florália. Flora era a deusa romana dos jardins e das flores.

Litha (22/6) – La Festa dell’Estate
O festival romano de Vesta ocorria em Junho. Vesta era a deusa do calor e do fogo sagrado. Os Lare (espíritos ancestrais) estavam sob o seu domínio. O festival de meio de verão era ligado às fadas e aos momentos mágicos.

Lammas (31/7- 1/08) – La Festa di Cornucopia
O festival de Ops acontecia em agosto. Ops era a deusa da fertilidade, forças criativas. Ela era a esposa de Saturno, que era o deus romano da agricultura. Na mitologia romana ela era identificada com a deusa Fauna.

Mabon (21/9) – Equinozio di Autunno
Nos ritos Eleusinos da Grécia e de Roma este era o momento no qual a Deusa descia ao Mundo dos Mortos.

O Mythos
Os ritos aridianos modernos são baseados nos mitos da Velha Religião, conhecido como “O Mythos”. Estes mitos empregam os nomes de várias deidades para personificar os caminhos da natureza, e para retratar a vida dos seres humanos, tanto quanto os processos de nascimento, morte e renascimento. Cada treguenda tem uma dramatização do mito do festival. O ano inicia em outubro, marcado pela celebração do Shadowfest – La Festa dell’Ombra. Abaixo vem um resumido de cada treguenda:
Festa dell’Ombra: celebração da Pré-Criação. No mythos, é a união da Deusa e do Deus.
Festa dell’Inverno: o nascimento do Deus Sol, da união da treguenda anterior. Celebração de promessa, luz e esperança.
Festa di Lupercus: celebração da purificação, e o começo da fertilidade. No mythos, o Deus Sol está na puberdade.
Equinozio della Primavera: celebração da subida da Deusa do Mundo das Sombras. Celebração do despertar da fertilidade.
La Gionatta di Tana: no mythos, é a corte da Deusa e do Deus. Celebração da volta da Deusa, da vida e da fertilidade em sua totalidade.
La Festa dell’Estate: no mythos, é o casamento da Deusa e do Deus. Celebração da vida e do crescimento.
La Festa di Cornucópia: celebração da abundância e da colheita. No mythos, o Deus está se preparando para o seu sacrifício para que o mundo continue.
Equinozio di Autunno: celebração da colheita. No mythos, o Deus morre e vai para o Mundo das Sombras. A Deusa então desce para procurar seu amor perdido.
Também é colocado no velho mythos que o Deus se levanta todos os dias e viajava pelo céu do leste ao oeste. Ao faze-lo, ele recolhe as almas daqueles que morreram durante sua partida. Então ele desce ao Mundo das Sombras e as entrega para a Deusa. Ela então as levava para o Reino de Luna (a lua). Quanto mais almas se juntavam , a luz da lua ia aumentando até ela ficar cheia. À medida que estas almas renasciam na terra, a luz diminuía.
Aradia ensinou que a participação nos festivais das Treguendas fazia com que as bruxas entrassem em harmonia com a natureza. Isto as alinhava com os padrões de energia que fluem na terra. Aradia prometeu que os poderes tradicionais da bruxaria poderiam ser observados e desenvolvidos através da comemoração da Roda do Ano.
Além disso, em dezembro os romanos tinham um festival chamado Saturnália. Este rito em particular teve muita influencia em costumes europeus mais recentes, influenciando a Velha Religião e muitas outras. No calendário pré-republicanao, o festival se iniciava em 17/12 e durava vários dias, terminando no Solstício de Inverno. Fogueiras queimavam durante o festival, e a celebração era marcada por orgias que não foram domadas até o séc. XIV. Havia a eleição do “Senhor do Desgoverno” que deveria ser um homem jovem e bonito. Este poderia se dedicar a quaisquer prazeres que desejasse até o fim do festival. Ele era a representação do deus Saturno, ao qual o festival era dedicado.

A Lua
Nos “Ensinamentos da Strega Sagrada” achamos provas que Aradia uma vez ensinou seus discípulos que as almas dos “mortos” viviam na Lua. Mesmo que os seus seguidores modernos concordem que Aradia usou a Lua como símbolo para os reinos Astrais, este primeiro conceito não era desconhecido para muitas culturas antigas. Iniciados no sistema Aridiano acreditam que a Lua foi usada como uma representação do Plano Astral, do Reino Lunar, mais especificamente.
No santuário de Diana, no lago Nemi, a Lua era visto como a morada da Deusa Diana e sua companhia, assim como o local de descanso das bruxas que passaram do Plano Físico. De acordo com os conhecimentos mais primitivos das strega, as “sombras” da Lua eram os locais de caça da Deusa, e os locais iluminados eram as planícies por onde Ela passeava.
As bruxas da Janarra, que são as descendentes diretas daquelas do lago Nemi, praticam uma forma de ritual lunar que vem de tempos muito antigos. O tema antigo de “se tornar como a Lua” pode ser visto nos antigos rituais janárricos de iniciação. Os iniciados que desejavam ser sacerdotes ou sacerdotisas eram levados nus sob a Lua e então “pintados” de branco. Isso geralmente era feito com um pó branco (ou ungento) que era aplicado no corpo todo, o cabelo incluso.
Os ritos de iniciação estavam ligados às fases da Lua. O primeiro grau é a Lua Nova, o segundo grau é a Meia Lua, o terceiro grau a Lua Cheia, e a morte física a Lua Minguante, e é considerado ser o ritual de Iniciação no Grande Mistério. Então há quatro graus de iniciação de acordo com as fases da Lua.
. Os eclipses eram vistos de várias formas. Esta corrida da Deusa, eventualmente, descendo para a terra, era visto pelas bruxas italianas como o momento em que o Sol e a Lua se juntavam para que a Lua desse a luz a novas estrelas, para substituir aquelas que caíram do céu.
A Lua também era utilizada para medida do tempo e sinalizava o momento de plantio e colheita. A representação simbólica da Lua como deidade mais antigo é um a pedra, que aparece na arte antiga sendo ou um pilar ou um cone de algum tipo. Algumas lendas dizem que esta pedra caiu do céu, pois veio dos próprios deuses. Um desenho antigo da Triluna aparece no inicio da Velha Religião. Variações deste símbolo podem ser encontrados nas antigas artes etrusca, grega e romana. Também se encontra em algumas culturas um pilar de madeira ou uma árvore como um símbolo antigo da Lua. Algumas vezes a Árvore da Lua é mostrada como uma árvore mesmo e às vezes como um poste truncado ou pilar estilizado. Em algumas formas de arte, a Árvore da Lua se mostra com treze flores, representando as treze luas cheias (ou novas) de um ano.
Os ensinamentos internos da Velha Religião lidam com o significado esotérico da Árvore da Lua. Neste aspecto, ela parece representar os mistérios em si, num senso prático da estrutura dos Caminhos Antigos. A Árvore da Lua tem apenas uma fruta branca que é o alimento sagrado da iluminação. No mythos, a árvore está localizada na gruta sagrada de Diana no lago Nemi, guardada pelo Encapuzado. O Encapuzado é um guerreiro poderoso que não pode ser vencido facilmente. Simbolicamente, a Árvore da Lua representa nosso sistema de crenças e o fruto da árvore é a iluminação que vem destes ensinamentos.
O Guardião da Gruta representa nossa mente consciente, que nos impede de abraçar uma visão mística através de questionamentos de nossas experiências “sobrenaturais”. É através do poder da magia e através da experiência do encontro místico, que formamos a mentalidade necessária para vencer o Guardião. Uma vez que ele é vencido, a fruta da árvore está dentro de nosso alcance. Degustar sua essência é receber a iniciação dos próprios deuses.
Os Guardiões
Encontrado na stregheria e comum para várias tradições wiccanas, são o conceito dos Guardiões, que são vistos de forma diferente pelos vários sistemas mágikos. Entre as streghe este seres são chamados de Grigori, particularmente para as bruxas tanárricas, que são conhecidas como “Bruxas das Estrelas”. A Tanarra preservou os antigos Mistérios Estelares, e é através de seus ensinamentos que poderemos ter um entendimento melhor de quem os Guardiões/ Grigori realmente são.
Nos antigos Cultos Estelares da Pérsia haviam quatro estrelas “reais” (conhecidas como “Senhores”) que eram chamados de Guardiões. Cada uma destas estrelas reinava sobre um ponto cardeal. Há uma ligação definitiva entre os “poderes” das bruxas e a “visão” dos Guardiões. Assumir a posição do Guardião é invoca-lo dentro de sua Psique. A estrela Aldebaran, quando marcava o equinócio de Primavera, tinha a posição do Guardião do Leste; Regulus, marcando o solstício de verão, era o Guardião do Sul; Antares, marcando o equinócio de outono, era o Guardião do Oeste; Fomalhaut, marcando o solstício de inverno, era o Guardião do norte. As torres foram construídas como símbolos dos Guardiões para que fosse feita sua adoração e também para propósito de invocação. Durante o “Rito de Chamada”, estes símbolos eram traçados no ar, usando tochas ou as varinhas e os nomes secretos dos Guardiões eram chamados.
Na bruxaria italiana, estes seres antigos são Guardiões dos Planos Dimensionais, protetores do círculo mágiko e eram testemunhas dos ritos. Cada um dos Grigori tem uma “Torre de Observação” que é um portal marcando cada um dos quadrantes do circulo mágiko. No conhecimento das bruxas italianas as estrelas eram vistas como os campos das legiões dos Grigori. No mythos, eles eram os Guardiões das Quatro Entradas para os Reinos de Áster, que era o local da morada dos deuses na mitologia da stregheria.
O Veado e o Lobo
Na Velha Religião da Itália existem três aspectos do Deus. Nestes aspectos nos encontramos as conexões com o mundo físico. Os três títulos pelos quais o Deus é conhecido são O Encapuzado, O Astado e O Velho. O Encapuzado é comumente ligado ao Green Man. Ele vive coberto de vegetação. O Astado é uma entidade de chifres de veado e é o Deus das Florestas, do que é selvagem. O Velho é o Ancião.
Os três aspectos do Deus tem a ver com a mudança de uma sociedade de caça para uma sociedade agrícola. O Encapuzado está ligado às plantações e vem logo depois do Deus Veado. Ele é o filho do Deus Veado. O caçador que veio antes da sociedade agrícola e o espírito animal era valorizado antes do espírito das plantas. Outros aspectos do Deus são simplesmente variações dos aspectos básicos. O aspecto Brincalhão, por exemplo, é ligado aO Encapuzado. Na tradição italiana, O Corvo (um brincalhão renomado) é associado com o Encapuzado em seu papel de Guardião da gruta.
O Deus Veado e o Deus Lobo voltam aos dias da antiguidade do Culto das Bruxas. Em uma imagem etrusca, encontrada num vaso do séc. XI ac, mostra a Deusa junto com um veado e com um lobo. Isso não é surpresa, pois a bruxaria italiana tem grande influência da Toscana, onde a civilização etrusca floresceu uma vez. O lobo, o “uivador da noite” era o principal animal de culto da Deusa.
O lobo é sagrado à Deusa da Lua. Sua natureza lunar é indicada pelas crescentes que aparecem junto com suas imagens em artefatos antigos. Mais comum hoje é o retrato da Deusa Diana com seus cães de caça (lobos domesticados), mas as estátuas mais antigas de Diana a mostram com seu veado – temos também imagens da deusa Ártemis no mesmo papel. É em Diana que descobrimos as estações do lobo e do veado.
A ambigüidade do Deus como caçador/ protetor é mostrado, por um lado, pela pele de lobo e armas que Ele carrega e, por outro lado, em sua relação com o veado que fica ao seu lado enquanto
Ele descansa. E é neste ícone que vemos a ligação do Deus da Velha Religião com as imagens do veado e do lobo. Ele é mostrado tanto como caçado quanto protetor de todos os animais da floresta, Guardião da Gruta, o Senhor das Árvores, O Velho.
Os Benandanti
Os Benandanti lutavam contra as forma-pensamento negativas e destrutivas e limpavam a consciência coletiva de suas comunidades. Deles era a batalha contra as forças do mal, personificando um exercito na luta entre a Luz e as Trevas. A tradição Benandanti era uma sociedade xamânica trabalhando por trás das forças da Natureza.







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O Que é Ser Bruxo ?

Certa vez por volta dos meus 12 anos de idade, logo após ter iniciado os meu estudos com a sacerdotiza Belinda Cailleach, minha avó, lhe fiz essa pergunta, ' o que é ser um bruxo ? ', lembro-me muito bem dos seus olhos, que até então estavam penetrados em uma cesta de palha que ela tecia e rapidamente se voltou para junto dos meus acompanhado com um leve sorriso, e voltando os olhos e a atenção para o trabalho na cesta ela se pôs a dizer " Ser bruxo é 'Ser-Humano', é saber o momento de falar e o momento de calar, é querer ajudar sempre, mesmo que seja a quem mais lhe prejudique, é ter consciência do poder que tem e saber usá-lo sempre para o bem e para o equilíbrio, é amar os seus Deuses e senti-los dentro de si, e você dentro deles, é ter com eles uma comunhão para tornarem-se um só. " E terminando o seu discurso ela voltou os olhos para mim e completou dizendo " Para ser bruxo é preciso ser forte, porque você nunca conhecerá nenhum bruxo fraco e se um dia o fizer saberá que esse não é de fato um bruxo, e sim mais um que acha que a bruxaria é um passatempo . "
Muitos hoje em dia ingressam no Antigo Caminho com a mente totalmente deturbada sobre o que é ser um bruxo e sobre o que é magia, ser bruxo não é somente fazer poções e rituais, conhecer os significados de cada lua, celebrar as estações, portar uma varinha e uma vassoura, ser bruxo é ter o controle da sua vida, e fazer com que tudo o que acontece ao seu redor seja favorável a você e as pessoas que estão próximas, um bruxo nunca está em meio de fracassados, porque todos que chegam até ele nessa situação ele faz se tornar vitorioso, porque nós bruxos temos esse poder, de mudar o mundo, de transformar as coisas, e nós podemos. Precisamos resgatar dentro de nós o significado de fazer magia, e parar de perder tempo com coisas banais, parar de proucurar feitiços pra parar de chover, erga as mãos e ordene que a chuva pare, seja forte, eu disse FORTE, e não arrogante e orgulhoso, porque precisamos ser humildes sempre e não esquecer que somos como todos os seres-humanos, não somos melhor nem pior que ninguém, apenas tivemos o nosso coração aberto pra receber o chamado da Deusa, e não nos fechamos em um mundo como cobáias crendo que se sair daquela linha, daquelas ordens vai pecar e passar a eternidade queimando no inferno, não, nós não cremos nisso, cremos que nascemos pra ser feliz e não importa o que nos traga a felicidade, temos que fazer de tudo para alcança-la esteja ela onde estiver, faça dela o seu objetivo, e busque sempre ser feliz, conquistando a cada dia mais felicidades, isso é ser bruxo, ser feliz, ter objetivos e correr atrás deles para conquistá-los, e se você até agora estava brincando de ser bruxo, estava passando tempo, tome consciência, não quero que saia desse caminho, mas que se torne de fato um bruxo, um verdadeiro, e que seja forte sempre, espero ter ajudado e orientado a todos da mesma forma que um dia me ajudaram e me orientaram,

Abençoados Sejam ,

Angus Cailleach .

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Teofania Cósmica

Quando pensamos acerca do Cosmos, normalmente usamos dois tipos de critérios: O Cosmos é transcendental ou físico. Ou seja, as maravilhas do Universo podem ser analisadas pela mensuração científica ou pelo estontear do pensamento místico.

Através da Astrofísica, nos deslumbramos com o leque cósmico das estrelas, planetas, nebulosas, galáxias...

Percebemos nossa pequenez quanto à magnitude do Todo. Mas ao mesmo tempo em que somos “insignificantes” perante toda essa extraordinária grandeza, somos formados de poeira estelar tanto quanto um grão de gelo dos anéis de Saturno, dos átomos de enxofre da atmosfera de Vênus, dos fótons liberados pelo Sol e até mesmo pelas estrelas mais distantes do Universo. Porque seríamos pequenos se realmente somos um espelho do todo?

A vida está latente em todo o Universo. Moléculas orgânicas são encontradas abundantemente nos planetas, sistemas “solares”, galáxias. A vida sempre permanece, esperando por desabrochar.

Mas na Terra, ela encontrou um útero sadio para que ela pudesse florescer. Aqui as moléculas orgânicas advindas de alguma parte do Cosmos (talvez na cauda de um cometa...) pode desenvolver-se de simples organismos unicelulares em toda a gama de seres vivos.

Aqui a vida transformou-se numa dança mística de células, ávidas em reproduzir e evoluir. Nossa flora e fauna é o resultado deste baile cósmico, embalado pela música da luz solar. É graças a Ele que pudemos existir. O Sol é o grande maestro da vida e a Terra a Dançarina que lindamente se rende aos encantos dos acordes solares. Ela ainda dança, esperando os aplausos de todos. E, inquestionavelmente, aplaudimos.

Aplaudimos pela miraculosa existência da vida, da maestria do Universo em ser tão perfeito e meticuloso ao se desdobrar do infinito a um quark. Aplaudimos nossa Deusa bailar elipticamente nos braços da Via Láctea, de maneira tão graciosa e singela diante da beleza de sua grande família, envergonhando os planetas secos, frios demais ou quentes demais.

Aplaudimos nossa incapacidade de reverenciar este ato tão lindo, reproduzindo essa dança nas células de nosso corpo, quando nossas mitocôndrias “respiram”, nossos lisossomos digerem, nossos cromossomos reproduzem..., sentindo que realmente somos tão divinos quanto quaisquer outros seres do Todo.

Nossa divindade é intrínseca ao Cosmos! E aqui não coloco a espiritualidade. Fisicamente tudo é divino! Como podemos não reconhecer a grandiosidade de um DNA, a beleza do sexo, a maravilha da maternidade, a suntuosidade da fotossíntese.

Porque restringir o divino ao espírito, e não o incluirmos à matéria? Nossa restrição de se maravilhar perante o milagre do Universo nos cega numa infantilidade de deificar algo que não compreendemos. Os deuses, são deuses, porque assim os consideramos. Nossos deuses são, acima de tudo, o Ar que respiramos, a luz que nos aquece e alimenta, a água que nos refresca, a terra que nos embarca.

Vênus é nossa libido, Júpiter as descargas elétricas, Hélios é o Sol, Diana a Lua, Marte se torna nossa força, Mercúrio nossa língua, Plutão os vermes de nosso cadáver, Netuno o Mar, Pan a fauna, Flora a flora...

E tudo isso é Lindo! Todos os deuses no corpo Dela, no Cosmos, cheio de vida e divindade!

Aí sim, quando encararmos a matéria como divina é que poderemos começar a pensar no transcendental. Como posso reverenciar uma deidade onisciente, onipresente e onipotente? (tirando a Mitra papal e colocando a Tiara da Deusa..rs) Seria eu pagão?

Seria eu pagão se fosse tão ignorante religiosamente de negar a divindade do Cosmos simplesmente por existir de forma tão perfeita?

Seria a Deusa algo além da Terra ou da Vida Universal? Ela deve ser algo mais abrangente? Ela deve ser uma versão feminina do Deus Patriarcal?

Porque não a vermos na beleza de um céu Noturno, identificando seus olhos nas estrelas, seus cabelos como a Via Láctea, seu Útero como a Terra e seu Calor como o Sol?

Seria tão herético?

Não acredito. Para mim a Deusa é algo muito mais física que astral. Muito mais matéria que espiritual. Ela é o Todo em Tudo. E este é um pensamento bem reconfortante...

Esta é a simplicidade linda da Vida, parafraseando Caetano. Nesta simplicidade está incluso todo o potencial de pararmos de sermos tão “lunáticos” de viver somente o amanhã, sem nos maravilhar com o hoje, sem viver intensamente cada minuto de nossa existência. Se acreditamos em algo além da matéria, ótimo! Mas não podemos nos agarrar somente ao espírito em detrimento a vida! Para que sonharmos com a plenitude do pós-morte, se podemos ter a certeira felicidade no presente?

Pensemos que somos poeira cósmica e sempre seremos! No corpo Daquela que é...

 Fonte: Gallugh : Teofania Cosmica

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Divindades

Ao contrário da maioria das religiões atuais, a Wicca é uma religião politeísta, ou seja, que adora vários deuses. Na verdade, é apenas uma divindade com várias faces: Deus ou Deusa do amor, da prosperidade, da saúde etc. Na Tradição Lua Secreta, veneramos apenas as polaridades do Ser Supremo: feminino e masculino. Assim como tudo no Universo. Uma moeda com seus dois lados.
Algo importante a dizer sobre as divindades, é que não as tememos por serem Supremas. Os Deuses são como nós, vivendo e interagindo com nossas vidas o tempo todo. A única diferença é que eles vêem o que não vemos, o que está se manifestando em outro plano antes que se manifeste aqui. Nem sempre eles são bons e que isso fique bem claro para os desavisados. Não invoque nenhum Deus ou Deusa sem conhecimento do que está fazendo e lembre-se que tudo o que você pedir irá acontecer. Então, tenha certeza do que quer antes de fazer qualquer trabalho mágico.
As divindades podem variar de acordo com o panteão, Tradição e lugares nos quais são cultuadas. Na Tradição Lua Secreta, cultuamos as divindades sem nomes, sem especificar panteões; são apenas Deus e Deusa.
O Deus
O Deus Cornífero é o Deus fálico da fertilidade e geralmente é representado como um homem de barba com casco e chifres de bode. É o Deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas e que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.
Ele nasce da Deusa, como seu complemento e carrega os atributos da fertilidade, alegria, coragem e otimismo. Ele é a força do Sol e da mesma forma, nasce e morre todos os dias, ensinando aos homens os segredos da morte e da renascimento.
Segundo os Mitos pagãos o Deus nasceu da Deusa, cresceu e se apaixonou por Ela. Ao fazerem amor a Deusa engravida e quando chega o inverno o Deus Cornífero morre e renasce quando a Deusa dá a luz. Este Mito contém em si os próprios ciclos da natureza onde no Verão o Deus é tido como forte e vigoroso, no outono ele envelhece, morre no inverno e renasce novamente na primavera.
Para a maioria pode aparentar meio incestuoso, quando se afirma que o Deus seja filho e consorte da Deusa, mas isto era extremamente comum aos povos primitivos onde os indivíduos se casavam entre os próprios familiares para conservar a pureza da raça. Além disso, o simbolismo do Mito deve ser observado, pois todas as coisas vieram do ventre da Grande Mãe inclusive o próprio Deus e por isso para Ela Ele deve voltar.
O culto aos Deus Cornífero surgiu entre os povos que dependiam da caça, por isso Ele sempre foi considerado o Deus dos animais e da fertilidade, e ornado com chifres, pois os chifres sempre representaram a fertilidade, vitalidade e a ligação com as energias do Cosmos. Além disso, a Bruxaria surgiu entre os povos da Europa, onde os cervos se procriam com extremada abundância, por isso eram freqüentemente caçados, pois eram uma das principais fontes de alimentação.
Com o crescimento do Cristianismo e com a intenção do Clero em derrubar Bruxaria, a figura atribuída ao Deus Cornífero acabou por personificar o Diabo e na atualidade resgatar o status deste importante Deus torna-se bastante difícil.
O Deus representa a luz e a escuridão, a imortalidade e a morte, a interrupção a continuidade. Cernunos, como também é chamado, simboliza a força da vida e da morte.
É o amante e filho da Deusa, o senhor dos cães selvagens e dos animais. É ele que desperta-nos para a vida depois da morte. Representa o Sol, eternamente em busca da Lua. Seus chifres na realidade representam as meias-luas, a honraria e a vitalidade e não uma ligação com o Diabo.
Ainda hoje existe muito confusão a cerca da Bruxaria e isto se deve a Igreja Medieval que transformou os Bruxos antigos em Feiticeiros do Demônio, por conveniência.
O culto à Deusa Mãe e aos Deus Cornífero é pré-cristão, surgiu milênios antes do catolicismo e do conceito de Demônio, o qual jamais foi adorado, invocado, cultuado e reverenciado nas práticas pagãs ou como deidade da Bruxaria.
Os chifres sempre foram tidos como símbolo de honra e respeito entre os povos do neolítico. Os chifres exprimem a força e a agressividade do touro, do cervo, do búfalo e de todos animais portadores dos mesmos. Entre os povos do período glacial uma divindade era representada com chifres para demonstrar claramente o poder da divindade que o possuía.
Quando o homem saia em busca de caça, ao retornar à sua tribo colocava os chifres do animal capturado sobre a sua cabeça, com a finalidade de demonstrar a todos da comunidade que ele vencera os obstáculos. Graças a ele todo clã seria nutrido, ele era o “Rei”. O capacete com chifres acabou por se tornar em uma coroa real estilizada.
Os chifres sempre foram representações da luz, sabedoria e conhecimento entre os povos antigos. Portanto como podemos perceber, os chifres desde tempos imemoráveis foram considerados símbolos de realeza, divindade, fartura e não símbolo do mal como muitos associaram e ainda associam-nos.
A Grande Mãe e o Deus Cornífero representam juntos as forças vitais do Universo. O Deus é então o mais alto símbolo de realeza, prosperidade, divindade, luz sabedoria e fartura. É o poder que fertiliza todas as coisas existentes na terra.
A Deusa
A Deusa é a Criadora de todas as coisas e, ao mesmo tempo, a Destruidora. Tudo vem Dela e tudo retornará a Ela. Ela é a Virgem, a Mãe e a Anciã. A Deusa é tudo e todos!
No paganismo, a Deusa se apresenta em três aspectos: a Virgem, a Mãe e a Anciã. A Virgem representa os impulsos, o começo, e está relacionada à Lua Crescente. A Mãe é a Doadora da Vida, a Grande Nutridora, e está associada à Lua Cheia. A Anciã é a detentora da sabedoria, a Grande Conhecedora e Transformadora, e está associada à Lua Minguante. Esses aspectos representam também a juventude, a maturidade e a velhice respectivamente.
- A Donzela-
Dentre as três faces da Deusa, a Virgem é a mais jovem, relacionada com os descobrimentos e aspectos mais criativos de nossa personalidade. Ela é a inocência e despreocupação, a alegria de viver.
- A Mãe -
A face Mãe da Deusa é tida como a da eterna doadora da vida. A Mãe é aquela que se volta para a nutrição, a preocupação e a fertilidade; é uma mulher no início da vida e no cume do seu poder. Ela protege e assegura a justiça. Na idade humana, seria uma mulher por volta dos trinta anos.
- A Anciã -
A Deusa Anciã é o aspecto menos compreendido e o mais temido, já que nos leva inevitavelmente a refletir sobre a morte.
A Anciã é regente do Submundo, visto antigamente como um lugar de descanso das almas entre as reencarnações. Obviamente todos nascemos e morremos, e a função da Deusa Anciã é nos acompanhar durante a última etapa de nossa vida, preparando-se para o Outro Mundo.


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