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Paganismo

Paganismo é o conjunto de crenças antigas oriundas dos meios pagãos. O termo vem de paganus e pagani (que faz referência ao campo, camponês). Um termo que foi estigmatizado na época do antigo Império Romano tornando-se pejorativo.
Como se deu esta estigmatização?
Vamos voltar no tempo, no Antigo Império, três séculos depois da morte de Jesus, mas especificamente no ano de 313 d.c. quando cessaram as perseguições aos cristãos pelo poder de Roma. Nesta época, Constantino I, através do Edito de Milão, declara que o Império se tornaria neutro em relação a credos religiosos.
Este mesmo Constantino viria a se converter ao Cristianismo e em 325 d.C. através do Concílio de Nicéia, quando reconheceu Jesus como o Filho de Deus e estabelecem outras providencias para distinguir o gentio (cristãos sem origem judaica) dos judeus, como, por exemplo, alterar a data da celebração do Pesakh (Páscoa) bem como seu nome para Eostre, nome de uma deusa pagã, o que séculos depois seria novamente modificado para Easter (inglês) ou Oster (alemão), a Páscoa em português, ou a troca do dia de descanso do sábado (Sabhat) para o domingo.
Em 380 d.C. o Imperador Teodósio numa jogada política, declara o Cristianismo, a religião oficial do Império Romano e nasce então a Igreja Católica Apostólica Romana.
A estrutura da nova religião, pautada em um único deus onipotente e onipresente, era perfeita para uma política de dominação sutil. Existia um deus a ser temido e punições divinas seriam bem vindas a todos aqueles que fossem contrários às regras impostas pelo poder.
Nos grandes centros, a aceitação da nova religião foi rápida não cabendo aqui tentarmos saber o porquê, mas nos campos, houve resistência. Os camponeses mantinham-se fiéis ao culto aos seus múltiplos deuses e práticas antigas.
Daí nasce o estigma de pagão (paganu “morador do campo”). Os pagãos não aceitavam a nova religião, seguiam em seus cultos a deuses dos mais diversos, ligados às forças da natureza.
Nos grandes centros, este termo passou a ter uma conotação pejorativa, um tom depreciativo, ao se referir a crenças supersticiosas e mágicas, fruto segundo os romanos, da ignorância dos camponeses.
O que temos hoje é o Neo Paganismo, ou seja, uma retomada de uma forma de expressão religiosa antiga, pré-cristã e que é adaptada para os dias de hoje.


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Paganismo x Cristianismo

As religiões que tinham como base a crença na Grande Deusa reinaram até que as religiões abramicas (Islamismo, Cristianismo, Judaísmo) a suplantassem. Com a expansão do Cristianismo, a religião da Grande Mãe, pagã – que no sentido original da palavra refere-se a religiãorpaticada nos campos; foi sendo destruída.
Durante a Idade Média , a Igreja Católica passou a considerar os rituais praticados na Antiga Religião como bruxaria, coisa do demônio, na tentativa de impor a crença num único Deus, poderoso, masculiono e que punia e castigava aqueles que não obedeciam seus ritos e ensinamentos.
A Igreja utilizou-se de guerra psicológica, torturas e campanhas militares para alcançar seus objetivos. Criou a Inquisição para perseguir e punir todos aqueles que não professassem a fé católica. O clero utilizando-se do poder adquirido como representante do Deus Uno, exigia do povo tudo o desejava, principalmente bens materiais e sustentava assim um luixo inacessível ao povo que vivia nas cercanias dos feudos e igrejas.
Muitas das crenças do paganismo foram incorporaradas aos rituais cristãos, fossem pro tentativas de manter vivos os antigos cultos pagãs, sem correr o risco de acabar na fogueira ou fosse pela inteligência dos padres e sacerdotes q busvam manter o rebanho dentro dos templos utilizando padrões e rituais com os quais as populações já estavama acostumadas, e sem contar que muitas igrejas ocupavam áreas que anteriormente eram templos pagãos.
A Igreja Católica transformou o paganismo em sinônimo de satanismo. Magos, sacerdotes e sacerdotisas das diversas tradições pagãs foram reprimidos no mundo ocidental, fosse pela força da lei ou das perseguições histéricas dos convertidos ao cristianismo.
Do século XV ao XVII milhares de processos sob a tutela da Inquisição percorreram tribunais eclesiásticos e civis por otda Europa e até no Novo Mundo. Pessoas foram torturadas, executadas em fogueiras, afogadas, tiveram membros arrancados e por qualquer razão, desde um tempero até disputas entre viszinhos levaram pessoas a serem consideradas como discípulos do Diabo. Todo conhecimento que fosse suspeito aos olhos da Igreja era motivo de perseguição.
O período chamado “Caça às Bruxas”, é considerado hoje como um período negro na história da humanidade. Uma simples suspeita era motivo para a execução. As mulheres eram as maiores vítimas. As antigas parteiras e curadoras, que através de suas tradições sabiam lidar com as ervas e com a natureza eram vistas como seguidoras do diabo e em outras ociasões o sadismo e interesses escusos dos acusadores podiam ter um viés que ultrapassava o zelo religioso contra as sacerdotisas do “diabo”.
Sem contar que muitas vítimas da Inquisição não eram praticantes do Paganismo, e sim pessoas com problemas mentais e físicos, ou adeptos de outras religiões tradicionais ( mulçumanos, judeus). E grande parte da riqueza atual da Igreja Católica foi construída nesse período, pois todos os bens dos acusados eram confiscados pela Igreja, o que tornou a chamada Santa Inquisição, um grande investimento.
(Texto adaptado do livro A MAGIA E A SABEDORIA DOS POVOS CELTAS, editora Berkana, de Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa)

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Banalização do Paganismo

A Banalização do Paganismo
Pois é, séculos e séculos decorreram de perseguições, torturas, morte em fogueiras e forcas. Eis então que chegou uma era do homem racional e científico, e a Bruxaria foi vista como uma histeria insana. E hoje em dia o que vemos aos milhares são pessoas desejando a qualquer custo se tornarem “Bruxas”, “Magos” e “Gurus”.
A Bruxaria, em suas várias ramificações, bem como o Paganismo em geral, estão por demais banalizados. Por um lado vemos um bando de adolescentes desinformados e deslumbrados com a perspectiva de obter “poderes” mágicos, que se auto-intitulam “Bruxos” para principalmente, inflarem seus egos e se sentirem diferentes de seus coleguinhas de colégio. Por outro lado vemos “Pseudo-Sacerdotes e Sacerdotisas”, escritores e escritoras medíocres, que ensinam e propagam engodos dos mais variados gêneros, clamando para si mesmos títulos e hierarquias, e que colocam cada vez mais lenha nesta “fogueira de egos”, induzindo mais e mais a banalização que vemos nos dias de hoje. Olhando para essas pessoas eu paro e penso, “a que ponto chegamos?”. Conheço uma Strega (uma Bruxa Italiana) que me é muito cara, que foi treinada e ensinada nas terras do norte da Itália há uns trinta anos atrás. Lembro dela me contando das dificuldades que teve de passar em seu treinamento; dificuldades lingüísticas, já que as Streghe que a ensinaram falavam em um dialeto extremamente difícil, dificuldades físicas que ela teve de passar para ser testada, e muito mais. Uma genuína Bruxa, de uma verdadeira linhagem de Bruxas Italianas; e esta minha amiga tão querida é uma das pessoas mais humildes que conheço. Ela não proclama aos quatro ventos que é uma “Bruxa de Linhagem”, e de tão humilde já chegou ao ponto de dizer que muito aprendeu comigo e com um outro amigo nosso (isso me faz corar, pois vejo nela a verdadeira simplicidade de espírito que os seres humanos deveriam ter – e digo mais… amiga, nós sim que aprendemos cada dia mais com você!).
Agora comparo esta minha mui lesta amiga com os “pseudo-bruxos” que vemos se propagando por ai. Qual deles se dignaria a passar pelo que ela passou? (afinal, “pra que? É só ler meia dúzia de textos na Internet que eu me torno bruxinha”) Qual deles seria humilde como minha amiga? A resposta é simples: nenhum. Afinal, esses “bruxinhos e bruxinhas” já têm em suas casas seus vidros cheio de ervas mortas compradas em lojas caríssimas, seus sites de “auto-formação bruxistica” em seus links favoritos e seus livros com listinhas de deuses e deusas pagãos, com as quais eles (os bruxinhos e bruxinhas) podem invocar no momento que desejarem, tratando esses deuses como meros serventes que tem a mera obrigação de trazer namorado ou de arranjar dinheiro.
Sejamos mais específicos e olhemos para o cenário da Wicca atualmente. A Wicca é uma religião nobre, formalizada pelo saudoso Gerald B. Gardner. Se estudarmos fontes como Doreen Valiente e Janet & Stewart Farrar, veremos que a Wicca é embasada em antigas tradições e costumes que foram transmitidos para Gardner, e que este, para preencher as lacunas que faltavam, as complementou com material mágico e pagão que conheceu em seus vários anos como pesquisador e antropólogo, formulando o que hoje é conhecida como Wicca Gardneriana. A Wicca Gardneriana é um caminho extremamente hierárquico e iniciático, com leis, ritos específicos e técnicas poderosas e secretas de treinamento. Virtualmente um caminho inacessível para os “bruxinhos e bruxinhas” citados. Mas quando ouvimos a palavra Wicca, normalmente nos vem em mente esses mesmos “bruxinhos e bruxinhas”; por que isso? Simples, muito simples. Pois nos últimos anos ocorreu uma generalizada banalização da Wicca por pseudo-sacerdotes e escritores. Estes últimos criaram a ilusão de que a Wicca é como algo que se pode comprar em uma prateleira de supermercado. Para que vocês tenham idéia da banalização que foi feita da Wicca, o irmão de uma amiga minha, de apenas quatorze anos de idade, outro dia disse para nós: “cara, tem uma menina na minha sala que fica se dizendo bruxa, wicca e tal. Essa menina não percebe o quão idiota ela é?”. Se um garoto de apenas quatorze anos já tem uma visão como essa, imaginem como a suposta Wicca se mostra para pessoas adultas e em meios acadêmicos. Cá comigo fico vendo o Sr. Gardner se debatendo em seu túmulo. Não sou Wiccano, mas respeito este caminho como um caminho sério e válido; sim, respeito o caminho Wiccano, mas o verdadeiro caminho Wiccano, descendente de Gardner. Já vi muitos livros e textos chamarem os Gardnerianos de “Esnobes da Arte”; pois bem, os Gardnerianos estão totalmente certos, e meu conselho para os amigos Gardnerianos é que continuem assim, para que não sejam confundidos com “bruxinhos e bruxinhas”.
Ultimamente também tenho visto muitos “bruxinhos e bruxinhas” que aderiram a uma nova tática. Como eles mesmos tem visto a banalização que a pseudo-wicca se tornou, agora eles desejam ser “Bruxos Tradicionais”. O que já recebi de e-mails destas pessoas dizendo que a “avó era bruxa”, ou que “foram bruxos na encarnação passada” e coisas do gênero, não está escrito. Certa feita recebi um em que, a garota em questão se apresentava como sendo neta de uma Strega, e dizendo-se detentora de uma hereditariedade de costumes e tradições. Por fim, a garota assinava com um “nick” celta e nem ao menos a palavra “Strega” ela conseguiu escrever corretamente. Quando indagada sobre qual região da Itália havia vindo suas tradições e tudo mais, simplesmente ela não respondeu e sumiu do mapa. Dei risada, fazer o que?
As ramificações da Bruxaria que conheço (sim, muito poucas, ao contrário do que muitos pregam de que toda a Bruxaria é Wicca. Diga isto para uma Bruxa Africana, lá de uma tribo bem isolada para ver o que vai lhe acontecer. Bem, é melhor nem procurar por uma para lhe dizer isso, pode ser perigoso!!!) são tradicionalmente iniciáticas, como qualquer religião de mistério. Tomando o exemplo da África, comparemos com nossa gloriosa tradição afro-brasileira do Candomblé. Uma religião pagã de mistério, altamente hierarquizada e iniciática. São necessários no mínimo sete anos para que se atinja o nível de Ebomi, uma pessoa apta para ser Sacerdote do culto, e nem mesmo todos os que chegam a este nível se tornam Sacerdotes e Sacerdotisas. Agora imaginem se começasse a surgir por ai “auto-feituras-de-santo”, e vários adolescentes começassem a auto-intitular-se “Pais e Mães de Santo”. Pois bem, inconcebível. Mas isto ocorre, infelizmente, na Bruxaria destes nossos dias, e temo sinceramente que isso venha a banalizar mais e mais as antigas artes das Bruxas. O que me consola é que toda moda vem e vai, sendo substituída por outra; primeiro veio a moda new age, onde todos liam Tarot, invocavam “Luz Branca”, viam anjos e seres espectrais e “alinhavam seus chacras com pedras e cristais”. Depois veio a pseudo-wicca, onde qualquer jovem que dispusesse de alguns trocados para comprar o mais novo livro publicado seria instantaneamente “bruxinho ou bruxinha”. Agora, ao que parece, a onda é ser “Bruxo Tradicional” – Bruxaria Italiana, Bruxaria Bretã, Bruxaria Irlandesa, não importa qual, o que importa é ser “Tradicional”. Quem sabe o que virá depois? O Culto a Grande Abóbora?
O que pensaria Aradia ou até mesmo Gerald Gardner de tudo isso???
Che Diana Benedica tutti voi!!!
Charun Lucifero


Fonte: http://www.stregoneria.kit.net/artigo_003.htm
http://www.paganismo.org/index.php?option=com_fireboard&Itemid=446&func=view&catid=18&id=14082#14082

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