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Religião Celta

Druidismo
Alguns estudiosos preocupam-se em discernir duas correntes religiosas: a céltica e a druídica. Embora muito semelhantes (levando-se em conta que a céltica é derivada da druídica) existe uma tendência a fazer certas considerações. Acredita-se que o celtismo era mais rudimentar e mais ligado ao culto da Mãe Natureza, enquanto o druídismo apegava-se a diversas divindades ligadas à natureza.
Pode-se afirmar que o druidismo se baseava em dois grandes princípios: o Respeito à Natureza e na crença da imortalidade. Os druidas eram os sacerdotes e presidiam as cerimônias religiosas, e exerciam outras funções que serão discutidas mais à frente.
Acreditavam na figura suprema da Deusa-Mãe e em divindades“elementais” (do ar, da água, do fogo e da terra). Alguns estudiosos atestam o politeísmo do povo celta, outros já o consideram monoteísta e todas as divindades nada mais eram que extensão de uma Deusa-Mãe. Outros os descrevem como monoteístas, que cultuavam o deus-fogo Beal, ligado ao sol (a exemplo de Ra para os egípcios).
Algumas árvores tinham importante significância na religião celta, como era o caso do carvalho (ligada à sabedoria e ao druidas), o freixo (ligado à proteção), o salgueiro (ligado às divindades da água), e etc. Alguns animais também tinham sua simbologia – o touro, por exemplo, estava representava a fertilidade e a serpente ligada à sabedoria.
A crença na alma e na vida após a morte está presente no druidismo. Os celtas acreditavam na existência do “Outro Mundo”, aonde residem os antepassados e demais espíritos. Acreditavam também que determinadas pessoas eram dotadas do poder de comunicação com este mundo. Acredita-se que o fato de os guerreiros celtas serem bravos e destemidos venha da certeza que eles tinham de que a morte nada mais é que uma passagem.
Como eram os rituais celtas para honrar seus deuses isto é difícil precisar. Sabe-se que as cerimônias eram realizadas em lugares abertos, em campos e florestas. As florestas de carvalho eram de predileção dos druidas, pelo fato do carvalho ser considerado uma árvore sagrada. Nestes locais construíam-se círculos de pedras, onde eram realizadas as cerimônias religiosas – o mais famoso deles é Stonehenge.
No entanto, estudos recentes defendem que estes círculos de pedra, na verdade, eram usados como observatórios astronômicos e não como construções religiosas. Com isto, abre-se espaço para discussão dos elementos de culto dos celtas e dos druidas, o que faria do druidismo uma religião fortemente influenciada pelas estrelas e pela observação dos astros (como a religião egípcia).
Vestígios arqueológicos confirmam que os druidas conduziam sacrifícios humanos, porém, as razões e a maneira como este tipo de cerimônia era realizado ainda é obscura.
No druidismo – como o próprio nome sugere – os líderes religiosos eram o Druidas, que constituíam uma classe privilegiada dentro da sociedade celta. Eram eles que presidiam as cerimônias religiosas, realizavam os sacrifícios humanos e conduziam oráculos. Além das funções religiosas, desempenhavam as funções de educadores, juízes e eram os responsáveis pela conservação da história e da tradição celta. Eram sábios e tinham conhecimentos de medicina, agricultura e astronomia. É importante lembrar que os druidas, temerosos aos registros escritos, passaram todo seu conhecimento oralmente de geração para geração. As mulheres também integravam a classe druídica. Eram, em sua maioria, profetizas.
Os druidas eram a única classe que transcendia as divisões tribais. Foram os grandes responsáveis pela unidade do mundo celta. Onde hoje está localizada Orleánais (França), estes sacerdotes organizaram uma grande assembléia geral, cuja sede situava-se nas proximidades de onde hoje é a cidade francesa de Sully-sur-Loire.
Roma logo condenou o druidismo, percebendo que os druidas eram a grande força política do mundo celta. Mesmo assim eles perduraram até a Idade Média, na Irlanda, e até o século V na Gália.
Pouco se sabe sobre os druidas, exatamente pelo fato de não fazerem uso da escrita (embora, crê-se que eles tiveram conhecimento de um sistema de escrita rúnico). Contudo, pode-se afirmar que eles existiram, exerciam grande influência na vida céltica e eram extremamente privilegiados nos conhecimentos. Relatos registram a coragem dos druidas na defesa de sua crença, sendo que muitos morreram durante a repressão romana. Especula-se que os druidas não eram originários da civilização celta, o que faz deles um povo distinto, cuja história e origem pouco se sabe.
Cristianismo
O cristianismo chegou às Ilhas britânicas no século IV, mas no século V os saxões invadiram o país, obrigando os cristãos celtas a mudarem-se para Gales e Cornualha. Neste mesmo momento, São Patrício – um monge britânico – iniciava suas excursões missionária pela Ilha da Irlanda. Tão logo, fundou-se a Igreja da Irlanda, a qual se tornou o centro da “Cristandade celta”.
O “cristianismo celta” desenvolveu-se de modo extremamente distinto ao padrão romano. Organizado em um claro sistema monástico, bispos estavam submetidos à autoridade abacial. Os monges dedicavam-se com afinco ao estudo da religião e a preservação da literatura romana. Tornaram-se grande evangelizadores dos povos germânicos e fundaram monastérios por toda a Europa Ocidental (França, Itália, Suíça e Alemanha).
Nos séculos IX – XII, o cristianismo celta foi perdendo força e o seu modo organizacional já não era compatível ao modelo romano, que agora preocupava-se com a centralização do poder.


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Os Celtas

Bem antes de 1200 a.C, na Idade do Bronze, vários povos indo-europeus começaram um tipo de expedição pela Europa Ocidental. Suas culturas eram possivelmente originadas da cultura de grupos étnicos que viviam próximo ao Rio Danúbio, que nasce numa região da Alemanha e percorre toda a Europa.
A individualização destes povos veio a acontecer justamente em meados de 1300 a.C. Os chamados “Celtas”, pelos romanos, partiram para todos os cantos do território europeu. Essa aparição teve o inicio de seu ápice na região ocidental na Idade do Ferro, influenciados pela Cultura Hallstatt (nome provindo de túmulos austríacos da época) onde armas de ferro começaram a ser produzidas e os soldados já dominavam bem o manejo do bronze. Fontes alegam que os celtas foram os primeiros povos europeus a usar e trabalhar com ferro. No século VI a.C. a chegada da Cultura La Tène, chamada também de cultura Lateniana, marcou o ápice dos celtas. Foi neste período de 450 a.C. até o século I a.C. que as tribos viveram a sua chamada “Fase de Ouro”. Tanto na sua expansão, arte, produção bélica como principalmente no aspecto religioso e mitológico.
Justamente neste momento de grandes conquistas e expansões, de grandes evoluções em seu convívio que os celtas montaram sua fraqueza principal. A falta de um governo central entre as tribos, para elas já única e individualmente completas em seus territórios, os tornou mira do Império Romano que naquele momento estava querendo glória, conquistas e territórios. De certa foi um motivo religioso que causou esta falta de unificação política. Como prezavam a igualdade entre todos diante de seus deuses, os celtas não elegeram um imperador central. E assim viveram em suas tribos distintas politicamente desde a Espanha até a Ásia Menor e mais tarde foram arrebatados pelo Império Romano, que invadiu primeiramente a Gália e mais tarde todos os outros territórios ocupados pelas tribos. Mas também foi a semelhança religiosa que amenizou as disputas entre os celtas e os romanos, enquanto Roma se instalava nas terras celtiberas. Pois ambos encontraram algo em comum entre as ricas mitologias, entre seus deuses da guerra, do amor, dentre outros. Os romanos ainda maravilharam-se e assustaram com a sabedoria e união dos celtas com a natureza e a forma de batalha amedrontadora de seus guerreiros e dessa surpresa surgiram os únicos documentos sobre este povo misterioso.
Outros aspectos da cultura celta propriamente dita, que não seja a sua história, ao mesmo tempo em que nos faz revelações estonteantes sobre o modo de vida desta civilização, nos deixam mistérios mais perturbantes e conseqüentemente mais ávidos a cada descoberta arqueológica ou mesmo o reaparecimento da religião e celebrações deste povo.
Como por exemplo, a presença de uma língua própria do povo que tinha ramificações em determinadas regiões e uma forma de escrita sagrada até hoje não compreendida que servia unicamente para cultos religiosos e para a adivinhação, fez dos celtas mais do que apenas um povo, fez deles uma nação com uma saga cheia de magia, mistérios e batalhas cruciais para a história mundial.
A Religião Druidica e seus sacerdotes foram mais únicos ainda e de maior importância para os celtas. Eram esses dois pontos que regiam cada passo dos celtas. A religião que estava em cada passo de cada tribo e os sacerdotes que exerciam os papéis mais privilegiados, divinos e respeitados entre os celtas. A religiosidade deu aos celtas a união necessária quando estes estavam na sua Fase de Ouro, se expandindo e deu a ele seus únicos defeitos. Deu também os mitos mais ricos e mais reais conhecidos na humanidade. A crença do povo nos mitos e contos originados da religião, ou com fundamentos religiosos é até hoje admirada e seguida por muitos. Foi por meio desta rica religião e mitologia, que não foram documentadas, apenas passadas oralmente dos sábios druidas para o povo, que os celtas se tornaram únicos aos olhos romanos. Mas com o surgimento do cristianismo estas duas grandes potências para os celtas foram desaparecendo aos poucos e mais tarde os cristãos trataram de fazer dos celtas e sua cultura desaparecidos, mas nunca esquecidos.
Foi por meio de mitos como uma espada cravada numa pedra e um rei elegido por ela, navios voadores, tribos divinas, domínio de ervas e sagrada ligação com a magia natural que os celtas ganharam a fama que ultrapassou os séculos. Foi pela forma bárbara e indiferente de guerrilha que os celtas deixaram uma marca para sempre na história mundial. Por mais que, muito do que se sabe sobre os celtas venha de documentos romanos, das poesias e das musicas folclóricas celtas, como também de alguns registros encontrados no artesanato e na arquitetura.
A falta de documentações e registros históricos para historiadores é como um problema e desafio que fazem por vezes os celtas serem “esquecidos”. Mas os adoradores e seguidores atuais dessa cultura, mitologia ou história, sabem que é este mistério, a incerteza, a dúvida pertinente e os surpreendentes relatos que faz o povo celta ser mais cativante, mais marcante, mais mágico, mais puro e divino.


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